Prefácio Puritano ao Saltério Métrico Escocês

Bom leitor,

É evidente pela experiência comum da raça humana, que o amor não pode jazer inativo na alma. Pois cada um tem seu gozo e deleite, seu toque e satisfação são agradáveis à constituição humana, e sabe-se melhor qual o temperamento de um homem por aquilo que o consola do que por qualquer outra coisa: homens carnais se deleitam naquilo que é saboroso à carne, e homens espirituais nas coisas do Espírito — as promessas da santa aliança de Deus, que são para outros como notícias passadas ou flores murchas, alimentam o prazer de suas mentes; e os mistérios de nossa redenção por Cristo são o deleite e o conforto de seus corações. Mas como a alegria tem seu objeto próprio, tem também seu meio de vir à tona: pois o modo comum e usual de pôr para fora um sentimento que não pode ser escrito é pelo cântico. Espíritos profanos têm as canções certas para suas gargalhadas; como seu riso é carnal, assim seus cânticos são vãos e frívolos, quando não imundos e obscenos; mas aqueles que se alegram no Senhor, seu riso corre por um canal espiritual: “Está alguém alegre? cante salmos,” disse o apóstolo (Tiago 5:13). E, “Os teus decretos tem sido meus cânticos na casa da minha peregrinação,” disse o santo Davi (Sl. 119:54).

Certamente cantar é uma maneira deleitável de instrução, como nos ensina a prudência comum. Aelian (Natural History, livro 2, capítulo 39) nos conta que os Cretenses reuniam seus filhos (τοὺς παῖδας τοὺς ἐλευθέρους μανθάνειν τοὺς νόμους ἐκέλευον μετά τινος μελῳδὶας) para aprender suas leis cantando-as em verso. E seguramente o cântico dos Salmos é um dever de tal maneira agradável e proveitoso que nossa recomendação é desnecessária: A nova natureza dispensa tudo aquilo que não lhe possa trazer consolo espiritual. Ora, cânticos espirituais de composição meramente humana podem ter seu uso, porém, nossa devoção está mais bem resguardada onde o conteúdo e as palavras são de inspiração divina direta; e para nós os Salmos de Davi parecem claramente abarcar aqueles termos de “salmos e hinos e cânticos espirituais,” usados pelo apóstolo (Ef. 5:19; Cl. 3:16). Entretanto, estas composições divinas devem ser trazidas a nós numa tradução adequada, pois queremos encontrar em Davi [o próprio] Davi; ao invés de expressar seus arroubos santos de maneira monótona e inexpressiva. A tradução que agora pomos em vossas mãos aproxima-se do original mais do que qualquer outra que vimos, e rumam numa doçura tão fluente, que pensamos ser justo recomendá-la à aceitação cristã; depois de alguns de nós já a termos experimentado, com grande conforto e satisfação.

Thomas Manton / D.D Henry Langley / D.D. John Owen / D.D. William Jenkyn / James Innes / Thomas Watson / Thomas Lye Matthew / Poole / John Milward / John Chester / George Cokayn / Matthew Meade / Robert Francklin / Thomas Dooelittle / Thomas Vincent / Nathanael Vincent / John Ryther / William Tomson / Nicolas Blaikie / Charles Morton / Edmund Calamy / William Carslake / James Janeway / John Hickes / John Baker

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/liturgia/prefacio_salterio_escoces_puritanos.pdf