Quanto a Salmodia Exclusiva

[Por: Cuthbert Sydenham]

“…Vamos considerar a vaidade da opinião contrária, [distinguindo entre Salmos, Hinos e Cânticos espirituais], que, absolutamente, abre caminho para o culto da vontade[1], o qual, eles parecem tanto se opor. Pois, em primeiro lugar, sou ordenado a cantar Salmos, Hinos e Cânticos; o Antigo e o Novo Testamento não falam de outros Salmos, senão, os de Davi e Asafe, e, dos tais, como pessoas inspiradas; e eles assim são chamados por Cristo e pelos Seus Apóstolos, ‘mas você não deve cantá-los’, eles dizem. Logo, pergunto quais Salmos vocês devem cantar? Não há luz no Velho ou Novo Testamento para autorizar nenhum outro. Ou vocês inventam um Salmo e afirmam que Cristo quis dizer isto, quando ele falou do Livro dos Salmos, e, assim, inventam uma nova maneira de adorar de suas próprias cabeças, ou vocês cantam os Salmos que Cristo e Seus Apóstolos chamam de Salmos.

Além disso, como qualquer homem pode persuadir a si mesmo ou outros quando ele canta, de que ele está cantando um Salmo, quando ele não canta aquilo que a Escritura chama de Salmo?

Ou como qualquer homem pode distinguir: ‘agora eu canto um Salmo, agora um Hino e agora um Cântico’, quando não há nem uma palavra no Novo Testamento para distingui-los um do outro, ou os dois últimos, do Livro de Salmos?

Se qualquer homem que vive sob o Novo Testamento e consegue distinguir um Salmo de um Hino, um Hino de um Ode (Cântico), ou qualquer um do outro, a não ser da forma como foi tomada emprestada do Velho Testamento, tal homem será um Oráculo.”…

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[1] Uma referência a Colossenses 2:23. A expressão que aparece em português é “culto de si mesmo” (ARA) ou “devoção voluntária” (ACF), no grego “ethelothreskeia” que significa “culto da vontade”, ou seja, um culto de acordo com as invenções humanas.

Cuthbert Sydenham – A Christian, sober and plain exercitation on the two grand practical controversies of these times : infant baptism and singing of psalms (1654), p. 188-189

Tradução: Joelson Galvão