Sobre a Salmodia

[Por: Crisóstomo (347 – 407)]

“…Desde que esse tipo de prazer é natural a nossa alma, e para que os demônios não introduzam cânticos licenciosos e perturbem tudo, Deus erigiu a barreira dos salmos, de forma que eles pudessem ser uma questão de prazer e proveito. Pois a partir de músicas estranhas, dano e destruição entram juntamente com uma coisa temível, pois o que é arbitrário e contrário à lei nessas canções instala-se nas várias partes da alma, tornando-a fraca e flexível. Mas dos salmos espirituais pode vir considerável prazer, muito do que é útil, muito do que é santo, e o fundamento de toda filosofia, enquanto esses textos limpam a alma e o Espírito Santo paira suavemente sobre a alma que canta tais canções. (…)

(…) Eu digo essas coisas, não para que você sozinho cante louvores, mas para que você ensine seus filhos e esposa também a cantar tais canções, não somente enquanto costuram ou enquanto engajados em outras tarefas, mas especialmente à mesa. Pois uma vez que o demônio geralmente se coloca à espreita nos banquetes, tendo com seus aliados a bebedeira e a glutonaria, junto com o riso desordenado e um espírito licencioso, é necessário especialmente então, antes e depois da refeição, construir uma defesa contra ele com os salmos, e levantar do banquete junto com esposa e filhos para cantar hinos sacros a Deus.” (WITVILIET, 2007, p. 6)

WITVLIET, J. D. Spirituality of the Psalter. In: FOXGROVER, D. Calvin and spirituality. Grand Rapids: Calvin Studies Society, 1998