Instrumentos no Culto

[Por: João Calvino]

“…Regozijai-vos no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor. Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo. Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis.”… (Salmos 33:1-4)

Louvai ao SENHOR com harpa

“…É evidente que o salmista neste ponto expressa o veemente e ardente afeto que os fiéis devem nutrir ao louvarem a Deus, quando ordena que instrumentos musicais sejam empregados com este propósito. Não deve omitir nada aos crentes que se inclinam a animar a mente e a emoção dos homens, cantando os louvores de Deus. O nome de Deus, sem dúvida, só pode, propriamente falando, ser celebrado mediante a articulação da voz; mas não sem motivo que Davi acrescenta a isto aqueles auxílios pelos quais os crentes costumavam estimular-se ao máximo para este exercício; especialmente considerando que ele estava falando ao antigo povo de Deus. Entretanto, há uma distinção a ser observada aqui, a saber, que não podemos indiscriminadamente considerar aplicável a nós cada coisa que antigamente foi ordenada aos judeus. Não tenho dúvida de que tocar címbalos, a harpa e o violino, bem como todo gênero de música que é tão freqüentemente mencionada nos Salmos, era uma parte da educação; ou seja, a pueril instrução da lei: falo do serviço fixo do templo. Porque mesmo agora, se os crentes decidissem recrear-se com instrumentos musicais, creio que não devem nutrir o objetivo de dissociar sua jovialidade dos louvores de Deus. Mas quando frequentam suas assembleias sacras, os instrumentos musicais para a celebração dos louvores divinos não devem ser mais oportunos do que a queima de incenso, o acender das lâmpadas e a restauração de outras sombras da lei. (…). Paulo só nos permite bendizer a Deus na assembléia pública dos santos numa língua conhecida (1 Co 14:16). A voz humana, ainda que não entendida pela generalidade, indubitavelmente excede a todos os instrumentos inanimados de música; e ainda vemos o que Paulo determina concernente a falar numa língua desconhecida. O que, pois, diremos da cantinela que não enche os ouvidos com outra coisa senão sons vazios? Quem objetará que a música é utilíssima para despertar as mentes dos homens e comover seus corações? Eu mesmo; mas devemos sempre tomar cuidado para que não se introduza nenhuma corrupção, a qual tanto pode macular o puro culto de Deus como também envolver os homens na superstição. Além do mais, visto que o Espírito Santo expressamente nos adverte, pelos lábios de Paulo, quanto a este perigo, ir além do que ele nos autoriza é, eu diria, não só um zelo inadvertido, mas ímpia e perversa obstinação….”

João CalvinoCommentary on Psalms 33 – A commentary on the Psalms of David-Vol.1, p.363-364

Em português – Comentários aos Salmos. Volume II. Editora Fiel, p. 50 e 51

Fonte: Luciano de Oliveira