A Perpetuidade e Mudança do Shabbath – II

[Por: Jonathan Edwards]

“…Não é senão justo supor que Deus pretendia nos intimar que o shabbath devesse ser guardado pelos cristãos em comemoração a redenção de Cristo, ao dizer que foi ordenado como lembrança da libertação dos israelitas do Egito. Isto porque a libertação do Egito é um tipo evidente e conhecido da redenção. Ela foi ordenada por Deus, tendo como propósito representar esta redenção; tudo acerca dessa libertação era típico, e é muito aproveitada principalmente por isso, por ser tão notavelmente um tipo da redenção de Cristo. E não foi senão uma sombra, a obra em si não foi nada em comparação com a da redenção. O que é uma pequena libertação de uma nação da escravidão temporal comparada à salvação eterna de toda a igreja dos eleitos, em todas as eras e nações, da condenação eterna, e a sua introdução, não em uma Canaã temporal, mas nos céus, em glória e benção eterna? Essa sombra deveria ser comemorada de tal maneira que um dia semana foi reservado para isto; e não deveríamos nós muito mais comemorar essa grande e gloriosa obra da qual este shabbath não era senão uma sombra?

Além disso, as palavras do quarto mandamento que falam da libertação do Egito não têm sentido para nós, a menos que sejam interpretadas à luz da redenção do evangelho. Porém, as palavras do decálogo são faladas a todas as nações e épocas. Portanto, as palavras como foram ditas aos judeus referiam-se a um tipo, ou sombra; como são faladas a nós, devem ser interpretadas como um antítipo e substância, pois o Egito do qual fomos redimidos sob o evangelho é o espiritual; a casa da servidão da qual somos libertos é um estado de escravidão espiritual. Portanto, as palavras, como faladas a nós, devem ser assim interpretadas: ‘Lembra-te que foste um servo do pecado e de Satanás, e o Senhor, teu Deus, te libertou desta escravidão, com mão poderosa e braço estendido; portanto o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado‘.

(…) Assim, deixo para que cada um julgue se não há suficiente evidência de que seja o intento e vontade de Deus que o primeiro dia da semana seja guardado pela Igreja cristã como um shabbath.”…

Jonathan Edwards –  The works of Jonathan Edwards – (Sermon XIV), The perpetuity and change of the sabbath,p. 98

SERMÃO EM PORTUGUÊS