Um dos Alvos da Ceia do Senhor

[Por: Lewis Bayly]

“…Cristo está verdadeiramente presente na ordenança por uma união dupla: a primeira delas é espiritual, entre Cristo e o participante digno; a segunda é memorial, entre o corpo e o sangue de Cristo, e os sinais externos presentes na ordenança. A primeira é produzida por meio do Espírito Santo que, habitando em Cristo e nos crentes, incorpora os fiéis em Cristo como Seus membros, sendo Ele a cabeça. Dessa forma os faz um com Cristo e participantes de todas as graças, da santidade e da glória eterna, que estão nEle, tão certa e verdadeiramente como ouvem as palavras da promessa e participam dos sinais externos da santa ordenança. Daí decorre que a vontade de Cristo é verdadeiramente vontade do cristão, e que a vida do cristão é Cristo, que vive nele (Gl. 2:20).

Se o interessado observar as coisas que estão unidas, esta união é essencial; se observar a veracidade desta união, ela é real; se observar o modo como é produzida, é espiritual. Não é a nossa fé que faz com que o corpo e o sangue de Cristo estejam presentes, mas o Espírito de Cristo, que habita nEle e em nós. A nossa fé recebe e aplica às nossas almas as graças celestiais oferecidas nos elementos da Ceia.

outra, a união mística, não é uma conjunção física ou local, e sim uma conjunção espiritual dos sinais terrenos, que são o pão e o vinho, com as graças celestiais, que são o corpo e o sangue de Cristo, no ato pelo qual são recebidos. É como se, por uma relação mútua, eles fossem uma só e a mesma coisa. Decorre disso que, no mesmo instante em que o participante digno come e bebe com sua boca o pão e o vinho do Senhor, também come e bebe realmente, com a boca da sua fé, o corpo e o sangue de Cristo.”…

Lewis Bayly (1565-1631) – The practice of piety (“A Prática da Piedade“), Ed. PES, pág 318-319.