Exibição de amor não é evidência dos verdadeiros afetos religiosos

[Por: Jonathan Edwards]

“…Muitos supõe que o amor é uma boa evidência de que os afetos são influências salvadoras e santificadoras do Espírito Santo. Alegam que satanás é incapaz de amar. Já que o amor é contrário ao diabo, cuja natureza é inimizade e malícia, todo amor é necessariamente cristão. Afinal,o amor é mais excelente do que conhecimento, profecia,milagres e até do que falar a língua dos homens e dos anjos. Claro que ele é a principal graça do Espírito de Deus, assim como a vida, essência e substância de toda verdadeira religião. É através dele que tomamos mais a forma do céu e nos colocamos em contraste com o diabo e o inferno. Mas esse argumento é pobre,pois presume que não existem imitações de amor. Sempre se deve enfatizar que o elemento mais excelente é exatamente o que vai ser mais imitado. Por isso existe mais falsificação de prata e ouro do que de ferro e cobre. Existem muitos diamantes e rubis falsos, mas ninguém falsifica cascalho. Entretanto,quanto mais excelente for o elemento, mais difícil será imitar seu caráter essencial e suas virtudes intrínsecas. Mas,quanto mais variadas forem as imitações, mais habilidade e sutileza serão necessárias para fazer a imitação perfeita, pelo menos na aparência externa. Isso acontece com as virtudes e graças cristãs. O diabo e o coração enganoso do ser humano tentam imitar o que tem mais valor. Assim, as graças mais imitadas são o amor e a humildade, pois são as virtudes que demonstram com mais clareza a beleza do verdadeiro cristão. As Escrituras deixam claro que a pessoa pode ter um tipo de amor religioso sem a graça salvadora. Cristo disse que muitos que se declaram seus seguidores possuem esse amor, mas que o amor não irá durar e não levará à salvação. “Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24.12,13). Essas palavras deixam bem claro que aqueles cujo amor não durar até o fim não serão salvos. Algumas pessoas podem aparentar amar a Deus e a Cristo, mesmo com afetos naturais fortes e intensos, mas não terem a graça. Foi esse o caso de vários judeus não alcançados pela graça, que seguiram Jesus dia e noite, ficando até sem comer ou dormir. Disseram: -Senhor, vou seguir-te aonde fores, depois gritaram: -Hosana Filho de Davi! O apóstolo parece sugerir que em seus dias havia muitos que tinham amor falsificado por Cristo. “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível” (Efésios 6:24). A palavra incorruptível mostra que o apóstolo tinha consciência de que muitos nutriam por Cristo um amor que não era puro nem espiritual. Assim o amor cristão pelo pelo povo de Deus também pode ser imitado. As Escrituras mostram que pode haver afetos fortes desse tipo destituídos da graça salvadora, como acontecia com os gálatas com relação ao apóstolo Paulo. Eles disseram que estavam prontos a arrancar os olhos e os dar a ele. Porém, Paulo expressa medo de que os afetos deles não resultassem em nada e que ele tivesse trabalhando em vão no meio deles (Gálatas 4:11,15).”…
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Jonathan Edwards –  Uma fé mais forte que as emoções – Editora Palavra, P.82 – 84
Fonte: Bruno E Jucy Dias