A Morte

[Por: Martinho Lutero]

“…Quando nos despedimos de todos na terra, então temos que nos voltar a Deus somente. E para lá que se dirige e para lá que nos leva o caminho da morte. Ali começa a porta estreita, o caminho apertado para a vida (cf. Mateus 7.14). Cada um deve aventurar-se com boa vontade por esse caminho. Pois este certamente é muito estreito, mas não é longo. Aqui acontece o mesmo que ocorre no nascimento de uma criança. Esta nasce, com perigo e medos, da pequena moradia no ventre de sua mãe para dentro deste grande céu e desta grande terra. Isto é, ela vem a este mundo. Da mesma forma, o ser humano sai desta vida pela porta estreita da morte. O céu e o mundo em que vivemos agora são considerados grandes e amplos. Mas tudo é muito mais apertado e menor, comparado ao céu que nos espera, do que é o ventre materno comparado a este céu. Por isso a morte dos queridos santos é chamada de novo nascimento. Também por isso o dia dedicado a eles é chamado de natale em latim. Significa o dia de seu nascimento. No entanto, o aperto da passagem para a morte faz esta vida parecer ampla e aquela outra, estreita. Precisamos acreditar nisso e aprender do nascimento corporal de uma criança. Cristo diz: “Uma mulher, quando está para dar à luz, sente medo. Mas depois de dar à luz, já não se lembra do medo, porque, através dela, um ser humano nasceu ao mundo” (João 16.21). Vale o mesmo para a morte: temos que nos libertar do medo e saber que depois vai haver muito espaço e alegria..'”…
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Martinho Lutero – Consolo no sofrimento – Editora Sinodal, p.8.