Como rejeitamos a Deus?

[Por: John Bunyan]

“…Agora, a respeito de Esaú ter buscado lugar de arrependimento, pensei, primeiramente, que não o fizera pela primogenitura, mas pela bênção. 0 apóstolo deixa isso claro e o próprio Esaú o evidencia: “Tirou-me o direito de primogenitura“, ou seja, no passado, “e agora usurpa a bênção que era minha” (Gn 27.36). Em segundo lugar, tendo chegado a essa conclusão, voltei ao texto para ver qual seria o pensamento de Deus a respeito do pecado de Esaú, do ponto de vista do Novo Testamento. Até onde pude entender, este foi o pensamento de Deus: a primogenitura significava a regeneração e a bênção da herança eterna, como o apóstolo parece sugerir: “Nem haja algum… profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura” — como se tencionasse dizer que as pessoas que agem assim renegam todos aqueles benditos direiros que devem ser vistos como obra de Deus sobre elas, levando-as ao novo nascimento; para que não se tornem como Esaú e sejam rejeitadas posteriormente, ainda que desejam herdar a bênção. Pois há muitos que, no tempo da graça e misericórdia, desprezam essas coisas, que são, de fato, o direito de primogenitura que conduz ao céu. Mas, quando o dia decisivo chegar, eles clamarão como Esaú: “Senhor, abre-nos a porta!” Então, à semelhanca de lsaque que não podia reverter a bênção, Deus Pai também não o fará. Ele dirá: “Eu os abençoei, e certamente eles serão abençoados“, entretanto, quanto a vocês: “Apartem-se de mim, todos os que praticam iniqUidades” (Lc 13.25-27).”…
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John Bunyan – Graça Abundante ao Principal dos Pecadores – Editora Fiel, p.112