NATAL

[Por: Arthur W. Pink]

Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios (…). Porque os costumes dos povos são vaidade” (Jeremias 10:2-3, trad. Almeida Corrigida Fiel).

O Natal está chegando! Parece que sim. Mas o que é “Natal”? O próprio termo denota sua origem – “Christ-mass”.[1]   Assim, é de origem Romana, tirada do paganismo. “Mas”, dirá alguém, “Natal é o dia em que comemoramos o nascimento do Salvador”. Será? E QUEM autorizou tal comemoração? Certamente não foi Deus. O Redentor ordenou a Seus discípulos que se “lembrassem” dEle na Sua morte, mas não há nem mesmo uma palavra na escritura, de Gênesis a Apocalipse, que nos ordene a celebração de Seu nascimento. Além do mais, quem é que sabe quando, em qual mês, que Ele nasceu? A Bíblia se cala a respeito disso. Será que é sem razão que as únicas comemorações de “aniversário” mencionadas na Palavra de Deus são as do Faraó (Gênesis 40:20) e de Herodes (Mateus 14:6)? Isso não é registrado “para nossa instrução”? Se é, temos, em santidade, aplicado no nosso coração?

E QUEM é que celebra o “Natal”? Todo o “mundo civilizado”. Milhões de pessoas que não fazem qualquer profissão de fé no sangue do Cordeiro, que O “desprezam e rejeitam”, e ainda mais milhões de pessoas que, embora aleguem ser Seus seguidores, com suas obras O negam, juntando-se em bebedices sob a desculpa de honrar o nascimento do Senhor Jesus. Na melhor das hipóteses, pergunta-se, será correto que Seus amigos se juntem aos Seus inimigos em uma rodada mundana de gratificação carnal?  Será que qualquer alma verdadeiramente regenerada pensa de fato que Ele, a quem o mundo rejeitou, é glorificado ou tem prazer em tal participação de alegrias mundanas? Em verdade, os costumes dos povos são VAIDADE, e está escrito: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Êxodo 23:2).

Alguns argumentam pela “observância do Natal” com base em “dar às crianças alguma diversão”. Mas por que fazê-lo sob a máscara de honrar o nascimento do Salvador? Por que é necessário arrastar Seu santo nome para a conexão com aquilo que ocorre na temporada de festividade carnal? Será que isso é levar os filhos consigo para FORA do Egito (Êxodo 10:9-10), que representa o mundo, ou será que não é meramente uma mistura dos egípcios do mundo moderno em “por um pouco de tempo ter o gozo do pecado” (Hebreus 11:25)? A Escritura diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6). É verdade que a Escritura ordena o povo de Deus a educar as crianças “na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4), mas onde é que se estipula que é nosso dever dar-lhes “alguma diversão”? Será que realmente damos às crianças “alguma diversão” quando nos envolvemos com qualquer coisa para a qual não há qualquer possibilidade de pedir a bênção do SENHOR?

Há aqueles que se abstêm de algumas das carnalidades horrendas da “temporada festiva”, mas ainda assim, estão sob escravidão cruel ao costume geral do “Natal”, a saber, o da troca de “presentes”. E digo “trocas”, porque é o que realmente ocorre em muitos casos. Uma lista é mantida, em papel ou na memória, daqueles que presentearam ano passado, com a finalidade de retribuir o ato neste ano. E isso não é tudo: talvez se tome grande cuidado para que o “presente” dado ao amigo tenha o mesmo valor, centavo por centavo, daquilo que se espera receber dele ou dela. Assim, mesmo que para muitos isso seja penoso, uma quantia considerável tem que ser separada para comprar coisas que simplesmente serão enviadas em RETORNO a outras que serão provavelmente recebidas. Assim, um fardo foi atado a essas pessoas. Um fardo, para muitos, difícil de suportar.

Mas o que devemos fazer? Se deixarmos de enviar nossos “presentes”, nossos amigos pensarão mal de nós, provavelmente nos verão como mãos-de-vaca miseráveis. A iniciativa honesta seria notificá-los – por uma carta se estiver distante – que de agora em diante você não se propõe mais a enviar “presentes de Natal” como tais. Dê seus motivos. Diga simplesmente que você foi levado à conclusão de que a “comemoração do Natal” é inteiramente uma coisa MUNDANA, desprovida de aprovação da Escritura; que é uma instituição romanista e que agora você enxerga isso, não pode mais compactuar (Efésios5:11); que você é um “homem livre” do Senhor (I Coríntios 7:22) e que, portanto, se recusaa servir a um hábito custoso imposto pelo mundo.

E que tal enviar “cartões de Natal” com um texto da Escritura neles? Isso também é uma abominação aos olhos de Deus. Por quê? Porque Sua Palavra proíbe expressamente misturas impuras, Deuteronômio 22:10-11 tipifica isso.[2]   O que queremos dizer com “mistura impura”? Isto: a ligação da pura Palavra de Deus com a “MISSA” romanista de “Cristo”.[3] Por favor, envie, sim, uns cartões (preferencialmente, em outra época do ano) aos seus amigos ímpios ou cristãos, com um versículo da Escritura, mas NÃO com “Natal” nele. O que você pensaria a respeito de um folheto de peça cômica de teatro com Isaías 53:5 no rodapé?[4]

Obviamente, que tudo está FORA DE LUGAR, completamente sem sentido. Mas, aos olhos de Deus, o circo e o teatro são muito menos desagradáveis que a “Celebração do Natal” das “igrejas” romanistas e protestantes. Por quê? Porque esta é feita sob o disfarce do santo nome de Cristo, e aqueles não.

“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18). Onde há um coração que realmente almeja agradar ao Senhor, Ele graciosamente concede conhecimento da Sua vontade. Se Ele quiser utilizar estas palavras para abrir os olhos de alguns de Seus filhos para reconhecer o que é um mal que tem crescido, e para mostrá-los que eles têm desonrado a Cristo ao ligar o nome do Homem de Dores (e é isso que ele ERA, na terra) com um “FELIZ Natal”, então junte-se a mim na confissão desse pecado a Deus, buscando Sua graça para [obter] a libertação completa disso, e louve-O pela luz que Ele lhe concedeu a respeito disso.

Irmãos amados, “a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8). Será que realmente cremos nisso? Creiam não porque o Papado tem recuperado seu poder temporal, mas porque DEUS o diz. “Porque andamos por fé, e não por vista” (II Coríntios 5:7). Se é assim, então, quais são os efeitos dessa fé no nosso caminhar? Talvez esse seja seu próximo Natal na terra. Durante ele, pode ser que o Senhor desça dos céus com um brado para reunir os Seus para Si.  Você gostaria de ser tirado de uma “festinha de Natal” para encontrá-Lo no ar? O chamado por enquanto é “saí-lhe ao encontro” (Mateus 25:6), [isto é,] saiam de uma Cristandade-Sem-Deus, saiam de uma horrível máscara de “religião” que agora se encobre sob Seu nome.[5]

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (II Coríntios 5:10). Que solene e intrigante! O Senhor Jesus declarou que “de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo” (Mateus 12:36). Se cada “palavra ociosa” será registrada, então com certeza [o serão] cada energia gasta, cada centavo desperdiçado, cada hora desperdiçada! Se ainda estivermos na terra quando os dias finais deste ano chegarem, que eu e você sinceramente busquemos a graça para viver e para agir com o trono de julgamento de Cristo diante de nós. SEU “bem está, [servo bom e fiel]” será uma compensação ampla à zombaria e aos insultos que recebemos agora daquelas almas sem Cristo.

Será que algum cristão imagina por um momento sequer que quando ele ou ela estiver perante o santo Senhor, se arrependerá de ter vivido de forma “muito rígida” na terra? Haveria o mínimo risco de Sua reprovação a qualquer um dos Seus porque foram “muito radicais” ao se absterem “das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (I Pedro 2:11)? Pode ser que ganhemos a simpatia e retribuição dos religionistas mundanos de hoje ao cedermos em “pequenos (?) pontos”, mas será que receberemos Seu sorriso e aprovação naquele dia? Oh, sejamos mais preocupados com o que ELE pensa do que com o que mortais a perecer pensam.

“Não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Êxodo 23:2). Ah, é coisa fácil ficar à mercê do crivo da opinião popular. [Por outro lado,] é necessária muita graça da parte de Deus para que se nade contra a corrente. Mesmo assim, é isto que um herdeiro do Céu deve fazer: não ser conformado “com este mundo” (Romanos 12:2), negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a um Cristo rejeitado. Como precisamos todos de atentar consternados para esta palavra do salvador: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Apocalipse 3:11). Oh, que cada um de nós possa dizer em verdade: “Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra” (Salmos 119:101).

Nossa palavra final é para os pastores. Para vocês, a Palavra do Senhor é: “sê O EXEMPLO dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (I Timóteo 4:12). Não é verdade que cada uma das “igrejas” corruptas que você conhece, que já negaram quase todos os aspectos fundamentais da fé, terão suas “celebrações do Natal”? Será que você as vai imitar? Será que você é consistente ao protestar contra os métodos anti-bíblicos de “levantar dinheiro” e, por outro lado, sancionar “cultos de Natal”? Busque graça para explicar com firmeza mas com amor a verdade de Deus sobre esse assunto diante do seu rebanho, e para anunciar que você não pode [mais] tomar parte nos próximos feriados pagãos, romanistas e mundanos.
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Fonte: http://www.swrb.com/newslett/actualNLs/CHRISTMAS-AWPINK.htm
Tradução: Lucas Grassi Freire (lgfreire@gmail.com)

Obs.: Os acréscimos em colchetes não fazem parte do texto consultado para a tradução e visam a esclarecer o sentido do texto ou a ajudar o leitor a acompanhar a exposição da passagem.

[1] N.T.: O termo inglês para Natal é Christmas. Aqui, Pink acrescenta um ao final, transformando-o em duas palavras: Christ (Cristo) e Mass (Missa), a “missa de Cristo”.
[2] N.T.: “Com boi e com jumento não lavrarás juntamente. Não te vestirás de diversos estofos de lã e linho juntamente”.
[3] N.T.: Mais uma alusão ao termo Christ-Mass.
[4] N.T.: O versículo é: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.
[5]   N.T.: Aqui, o editor de onde o original para esta tradução foi extraído sugere: “para visões mais coerentes sobre profecia bíblica, vejahttp://www.swrb.com/newslett/FREEBOOK/eschatol.htm”.