Os os réprobos experimentam o sabor da graça providencial de Deus

[Por: João Calvino]

“…Devemos reconhecer, pois, que o Evangelho não pode adequadamente conhecido a não ser através da iluminação do Espírito; e, conhecendo-o dessa forma, somos afastados deste mundo e elevados até ao céu; e, ao percebermos a benevolência de Deus, descansamos em sua Palavra.

Ora, desse fato vem a luz um novo questionamento, a saber: como é possível que alguém que uma vez alcançou tal altitude venha depois a apostatar? Na verdade, o Senhor chama eficazmente somente os eleitos, e Paulo testifica (Rm 8.14) que os que guiados pelo Espirito de Deus são verdadeiramente seus filhos, e nos ensina que é um seguro penhor da adoção quando Cristo faz alguém participante de seu Espírito. Por conseguinte, os eleitos se acham fora do perigo da apostasia final, porquanto o Pai que lhes deu Cristo, seu Filho, para que sejam por ele preservados, é maior do que todos, e Cristo promete (Jo 17.12] que cuidará de todos eles, a fim de que nenhum deles venha a perecer.

A minha resposta é a seguinte: Deus certamente confere seu Espírito de regeneração somente aos eleitos, e que se distinguem dos réprobos no fato de que são transformados à imagem de Deus, e recebem o penhor do Espírito na esperança de uma herança por vir, e pelo mesmo Espirito o evangelho é selado em seus corações. Em tudo isso, porém, não vejo razão por que Deus não toque os réprobos com o sabor de sua graça, ou ilumine suas mentes com alguns lampejos de sua luz, ou não os afete com algum senso de sua benevolência, ou em alguma medida não grave sua Palavra em seus corações. De outro modo, onde estaria aquela fé temporária que Marcos menciona (Mc 4.17)? Portanto, no réprobo há aquele conhecimento que mais tarde se desvanece, seja porque ele estende suas raízes com menos profundidade do que se espera, ou porque, ao crescer, é sufocado e murcha.”…
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João Calvino – Comentários em Hebreus 6 – Editora Fiel – p.147
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