Como Satanás tenta o cristão

[Por: Theodore Beza]

“…’A poluição natural, ou pecado original, que está em nós, faz com que Deus nos odeie ainda.’

Resta ainda para Satanás, um ataque com esta tentação sobre nosso mundanismo: Embora você tenha satisfeito a pena pelos seus pecados, na pessoa de Jesus Cristo, e está, pela fé, coberto por Sua justiça, você, todavia, é corrupto em sua natureza; nela reside ainda a fonte de todo pecado (Rm 7:17,18). Como então, você ousaria comparecer diante da majestade de Deus que é inimigo de toda perversão, e vê as profundezas do coração (Sl 44:21; Jr 17:10)? Nesta esfera, encontramos mais uma vez, um pronto auxílio em Jesus Cristo somente. Devemos confiar nEle. Verdadeiramente nós estamos encerrados neste corpo mortal (Rm 7:24), de modo que não fazemos o bem que queremos, ainda sentimos o pecado que habita em nós (Rm 7;21-23), e a carne que luta contra o Espírito (Gl 5:17). Este é o porquê, com respeito a nós, estamos ainda contaminados no corpo e na alma (1Co 4:4; Fp 3:9). Mas visto que temos fé, somos unidos (1Co 6:17), vinculados (Ef 4:16; Cl 2:19), confirmados (Cl 2:7), enxertados em Jesus Cristo (Rm 6:5). Nele, desde o primeiro momento de Sua concepção no ventre da virgem Maria (Mt 1:20; Lc 1:35), nossa natureza é mais completamente restaurada e santificada (Hb 2:10,11), do que mesmo quando criada pura em Adão; visto que Adão foi feito somente a imagem de Deus (Gn 1:27; 1Co 15:47), considerando que Cristo é verdadeiro Deus, que assumiu nossa forma humana, concebido pelo poder do Espírito Santo. Esta santificação da natureza humana em Jesus Cristo é computada como nossa, pela fé. Assim, a corrupção natural remanescente que mesmo depois da regeneração ainda habita em nós, não pode entrar na nossa conta (Rm 8:1-3). O nosso mundanismo está coberto e tragado pela santidade de Jesus Cristo, que é muito mais poderoso para santificar-nos diante de Deus, do que a corrupção natural para nos contaminar.”…
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Theodore Beza – The Christian Faith ( capítulo 4, seções 1-13)
Fonte – Reformados do Século XVI
Tradução – Rev. Paulo Anglada
Revisão – Rev. Ewerton B. Tokashiki