O Espírito Santo – Mais que um poder

[Por: Horatius Bonar]

“…Como pensamos no Espírito Santo? Algumas igrejas não pensam nele, em absoluto. Mas aqueles que o fazem, muitas vezes, pensam nele como um poder ou uma influência. Assim, em algumas igrejas, o Espírito Santo é articulado como uma força que atua nos corações para a conversão. Em outras igrejas, o Espírito Santo é uma força que nos faz sentir bem. Em outras igrejas, o Espírito Santo é uma força que gera poder para que os crentes possam executar obras miraculosas de cura. Alguns vão tão longe a ponto de imaginá-lo como uma tempestade, soprando em toda a Igreja impensadamente e sem propósito. Mas aqui está o problema com esse tipo de pensamento. Quando reduzimos o Espírito Santo a uma potência, e não uma pessoa, ele é apenas um acessório (ainda um acessório necessário) para as pessoas do Pai e do Filho. Você pode ter um relacionamento com uma pessoa, mas não com um acessório. Mas as escrituras entendem o Espírito como uma pessoa. Ele é poderoso, mas ele não é poder. Ele é uma pessoa que aplica o seu poder de forma refletida e com propósitos. E como esse poder é aplicado? Bonar diz que é aplicado principalmente através do amor, e assim ele chama isto de “O Evangelho do amor do Espírito Santo.” Aprecie!
Talvez muito de nosso lento progresso na caminhada da fé está ligado à nossa negligência ao amor do Espírito Santo. Nós não lidamos com ele, buscando força e progresso, como alguém que realmente nos ama e anseia nos abençoar, e que se deleita em nos ajudar em nossas fraquezas (Rm 8:26). Nós o consideramos como frio, distante, ou austero, nós não confiamos nele por Sua graça, e nem percebemos o quanto ele é zeloso em seu trato conosco. Uma confiança mais filial nEle e no Seu amor nos ajudaria poderosamente. Não o entristeçamos, nem o irritemos, nem o apaguemos pela nossa incredulidade, por descrermos ou duvidarmos das riquezas de Sua graça, da abundância de Sua bondade.

Ele não é uma mera “influência”, mas uma “personalidade” viva, e há uma vasta diferença entre essas duas coisas. Uma “influência” não pode nos amar, assim como nós não podemos amar uma “influência”. Se deve haver amor, deve haver personalidade; e neste caso, deve haver a personalidade do amor. O ar fresco da primavera é uma influência, mas não uma personalidade. Ela não pode nos amar nem nos conclamar a amá-la. A voz da qual chamamos de “natureza” é uma influência, mas não uma personalidade. Não pode haver amor mútuo entre nós e ela. Mas um ser com uma alma é uma personalidade, não uma influência; e o amor do homem ou uma mulher é uma coisa pessoal, uma afeição verdadeira e real – um olho no outro, e um coração tocando o de seu companheiro. Assim é com o amor do Espírito. Há uma personalidade inerente a Ele que ultrapassa todas as personalidades da terra, ultrapassa a personalidades dos homens ou dos anjos; e é esta personalidade divina que faz o seu amor tão precioso e tão apropriado, bem como tão verdadeiro e real. Não há qualquer realidade de amor como a do Espírito. Não tem nada em comum com a frieza ou a distância de uma mera “influência”. Se acerca e se avizinha do coração humano porque este é o amor daquele que formou o coração, e que vem buscando fazer desse coração a sua morada para sempre.

As provas de seu amor são abundantes. São provas divinas; e, portanto, seguramente verdadeiras. É Deus quem nos deu, e que nenhuma dúvida do amor do Espírito jamais entre em nossas mentes. Elas estão espalhadas por toda a Escritura, em diferentes formas e aspectos. Embora a Bíblia tenha sido especialmente concebida como a revelação do Filho de Deus, também é a revelação do Espírito Santo. Ele revela a Si mesmo ao revelar Cristo. Ele expressa seu próprio amor ao nos mostrar-nos o amor do Pai e do Filho.“…
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Horatius Bonar – The Gospel of the Holy Spirit’s Love – O Evangelho do amor do Espírito Santo
Fonte –  Reforma e Razão
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