A perfeição dos decretos de Deus

[Por: Thomas Boston]

“…1. Eles são eternos.
Deus não faz decretos conforme o tempo, mas eles todos provêm da eternidade. Por esse motivo, o decreto da eleição é dito como algo feito “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4), “assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor“. Na verdade, o que ele faz dentro do tempo foi decretado por ele, considerando que tudo isso era conhecido por ele antes do próprio tempo – At 15:18, “Conhecidas por Deus desde toda a eternidade são todas as suas obras.” E esta presciência se baseia no decreto. Se os decretos divinos não fossem eternos, Deus não seria o mais perfeito e imutável. Fraco como o homem, ele teria que mudar seus planos e não seria capaz de dizer sobre cada coisa que poderia vir a acontecer.

2. Eles são os mais sábios.
Segundo o conselho da sua vontade“. Deus não pode deliberar corretamente ou tomar conselho, como fazem os homens, porque ele vê todas as coisas juntas e ao mesmo tempo. E, assim, os seus decretos são feitos com juízo perfeito, e depositados na profundidade da sabedoria – Rm 11:33, “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos!“. De modo que nada é determinado poderia ter sido melhor determinado.

3. Eles são os mais livres.
De acordo com o conselho da sua própria vontade, não dependendo de nenhum outro, mas tudo flui do mero prazer de sua própria vontade – Rm 11:34, “Porque, quem conheceu a mente do Senhor, ou quem se tornou seu conselheiro?” Tudo o que ele decreta a acontecer fora de si mesmo é de sua livre escolha. Então, seus decretos são absolutos, e nenhum deles é condicional. Ele não tornou suspenso nenhum decreto fora de si mesmo, sob qualquer condição, nem decretou qualquer coisa porque viu que ela iria acontecer, ou como o que viria a acontecer dessa ou daquela maneira, pois, se assim o fosse, assim elas não estariam mais de acordo com o conselho da sua vontade, e sim com a vontade da criatura

4. Eles são imutáveis.
Eles são as leis inalteráveis do céu. Os decretos de Deus são constantes, e ele de forma alguma altera o seu propósito, tal qual fazem os homens. Sl 33:11: “O conselho do Senhor permanece para sempre, os planos do seu coração por todas as gerações.” Por isso, eles são comparados com os montes de bronze (Zc 6:1). Como nada pode escapar de sua visão, nada pode ser adicionado ao seu conhecimento. Assim Balaão disse: “Deus não é homem, para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa. Se Ele disse, não o fará? Ou, tendo falado, Ele não o cumprirá?” (Nm 23:19). O decreto da eleição é irreversível: a base sólida de Deus permanece, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são seus” (2 Tm 2:19).

5. Eles são os mais santos e puros.
Porque, assim como o sol lança seus raios como raios sobre um monturo, e ainda assim não é como contaminado por ele, da mesma forma Deus decreta a permissão do pecado, mas não é o autor do pecado1 João 1:5: “Deus é luz e nele não há treva alguma.“; Tg 1:13 – “Deus não pode ser tentado pelo mal, nem ele mesmo a ninguém tenta” e, no versículo 17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não existe variação ou sombra de mudança.

6. Eles são eficazes.
Isto é, tudo o que Deus decreta vai acontecer infalivelmente. Is 46:10: “O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade.” Ele não pode ficar aquém do que determinou; no entanto, a liberdade das causas secundárias não fica retirada, pois o decreto de Deus não oferece nenhuma violência à vontade da criatura, como se depreende das ações livres e não forçadas dos irmãos de José, do Faraó, dos judeus que crucificaram Cristo etc., tampouco tira a contingência das causas secundárias, seja nelas mesmas, seja em nós mesmos, como se vê pelas sortes lançadas no regaço. Absolutamente: elas assim estão estabelecidas porquanto eficazmente preordenadas; esses efeitos devem se suceder em causas de tal tipo.”…
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Thomas Boston – The Properties Of God’s Decrees Explained
Tradução – Cleber Olympio
Fonte – Militar Cristão
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