A terrível relação entre o homem e o pecado

[Por: Stephen Charnock]

“…1. A sujeição do homem sob o pecado. Ele é “vendido sob o pecado,” (Rm 7:14), e trazido “cativo à lei do pecado,” (v. 23) Por “lei do pecado:” o pecado parece ter uma autoridade legal sobre ele; o homem não é apenas um escravo de um pecado, mas sim de muitos, como em Tt 3:3, “servindo a várias paixões.” Agora, quando um homem é vendido sob o poder de mil desejos, cada um dos quais tendo uma tirania absoluta sobre ele, e o regem como um soberano por determinada lei; e quando um homem é, assim, obrigado por mil leis, mil cordões e correntes, e levado de onde seus senhores o favoreciam, contra os ditames de sua própria consciência e a força da luz natural, pode alguém imaginar que seu próprio poder possa resgatá-lo da força desses mestres que reivindicam esse direito sobre ele, que mantêm uma força sobre ele, e que tantas vezes confundiu sua própria força quando tentou se voltar contra eles?

2. A afeição do homem para com os pecados. Ele não só os servem, mas ele se serve deles, e cada um deles, com deleite e prazer (Tt 3:3). Eram todos prazeres, bem como desejos; amigos, bem como senhores. Será que algum homem deixa seus prazeres sensuais e tais pecados que agradam e embelezam a sua carne? Será que um homem sempre se esforça para fugir daqueles senhores a quem ele serve com carinho? Ele tem tanto prazer em estar vinculado como um escravo a essas paixões como o diabo o tem em fazer essa ligação. Portanto, quando você vê um homem lançando fora os seus prazeres, privando-se das coisas confortáveis para que sua alma já esteve amarrada, e anda em caminhos contrários à natureza corrupta, você pode procurar a causa disso em qualquer lugar exceto em sua própria natureza. Nenhum pedaço de barro sujo e barrento pode tornar-se um vaso limpo e bonito; nenhum simples pedaço de madeira pode adaptar-se para uma edificação, muito menos algum torto. Nem um homem que nasce cego dar-se vista.

Deus lida com os homens, neste caso, como fez com Abraão. Ele não daria Isaque enquanto o ventre de Sara, em uma probabilidade natural, poderia tê-lo suportado, mas quando seu ventre estava morto, e a idade já tinha tirado toda a força natural da concepção, então Deus lhe deu, para que ele pudesse parecer não ser um filho da natureza, mas um filho da promessa.”…
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Stephen Charnock – Why Salvation Must Be Supernatural
Tradução – Cleber Olympio
Fonte – Militar Cristão
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