Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se

[Por: João Calvino]

Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu” [1 Coríntios 11:5-6]

“…Toda mulher, porém, que ora e profetiza. A segunda proposição é que a mulher deve manter sua cabeça coberta quando ora ou profetiza, doutra sorte estaria desonrando sua cabeça. Pois o homem honra sua cabeça manifestando publicamente que é independente; semelhantemente, a mulher assim procede a fim de mostrar que ela está em submissão. Em contrapartida, se a mulher descobre sua cabeça, ela estará se desvencilhando da submissão devida, e com isso demonstra, ao mesmo tempo, desconsideração por seu esposo. Não obstante, pode parecer desnecessário a Paulo proibir uma mulher de profetizar com a cabeça descoberta, visto que em 1 Timóteo 2:12 ele sumariamente priva a mulher de falar na igreja. Portanto, as mulheres não têm o direito de profetizar, nem mesmo com suas cabeças cobertas; e a conclusão óbvia é que para Paulo é perda de tempo prosseguir discutindo aqui a questão da cobertura [da cabeça]. A isso respondo que, ao desaprovar o apóstolo uma coisa, aqui, não significa que está aprovando a outra, ali. Pois quando as censura de profetizarem com a cabeça descoberta, ele não está absolutamente fazendo urna concessão para profetizar, senão que está protelando a censura contra este erro para outra passagem [cap.14]. Esta é uma resposta perfeitamente adequada. Entretanto, pode-se adequar a situação plenamente hem, dizendo que o apóstolo espera das mulheres esta conduta modesta, não só no local onde toda a congregação se reúne, mas também em qualquer outra das reuniões mais formais, seja de senhoras, seja de senhores, como às vezes sucede em reuniões domésticas privativas.

Porque é como se a tivesse rapada. Ele então se vale de outras razões para ultimar sua tese de que é inconveniente às mulheres conservarem suas cabeças descobertas. A própria natureza revela que isso é um horror, diz ele. Uma mulher com sua cabeça rapada é algo asqueroso, deveras uma visão que agride a natureza. Presumimos disto que à mulher foi dado seu cabelo como uma cobertura natural. Se alguém contesta que seu cabelo, sendo sua cobertura natural, é tudo qual importa, Paulo diz que não, pois esta é uma cobertura de tal gênero e requer outra para cobri-la. E daqui podemos aventurar-nos a uma conjetura provável de que as mulheres que possuíam uma invejável cabeleira tinham o hábito de aparecer em público com a cabeça descoberta com o fim de exibir sua beleza. Portanto. Paulo, intencionalmente, remedia tal erro, expressando um conceito completamente oposto ao delas, a saber: que em vez de torná-las atraentes aos olhos dos homens, e despertar sua luxúria, só serviam de espetáculo indecoroso¹⁵.“…

15 .Sainct Paul pour remedier à ce vice, propose tom le contraire de ce qui kur sembloit; disant s’en Paul qu’en cela tl y ait vne beaute pour attirer les hommes à connoitise. que plusrot c’est ene nese laide et deshonneste.” – “Sáo Paulo, com vistas a remediar este viço, apresenta muito bem o reverso do que lhes parecia-dizendo que. nolugar de haver beleza nessa atitude com o intuito de seduzir os homens. ao contrario era unia coisa em extremo feia e inconveniente.”
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João Calvino – Comentários 1 Coríntios (Cap.11)Editora Fiel, p.383-384
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