O batismo dos filhos

[Por: João Calvino]

“…Creio que agora não há de ser ambíguo para ninguém que esteja sóbrio o quão temerariamente perturbam a Igreja de Cristo aqueles que promovem rixas e contendas sobre o pedobatismo. Mas vale a pena observar o que Satanás pretende com tão grande astúcia; a saber, arrebatar- nos aquele singular fruto de confiança e de alegria espiritual a que se pode chegar pelo batismo e tirar-nos também a glória da divina bondade. Pois quão agradável é para as almas piedosas certificarem-se, não somente pela Palavra, mas também com seus próprios olhos, de que alcançaram tanta graça perante o Pai celestial que sua posteridade está a cargo dele! Pois aqui podemos ver como Deus assume para conosco o papel do mais provedor dos pais de família, que nem depois de nossa morte deixa de cuidar de nós, e até vela e olha por nossos filhos. Acaso não devemos saltar de alegria e dar graças de todo coração, a exemplo de Davi, para que seu nome seja santificado, por tal demonstração de bondade (Sl 48:11)? Isto certamente move Satanás a combater o pedobatismo com tantas armas; sua finalidade é que, ao ser apagado o atestado da graça de Deus, que se apresenta a nossos olhos, finalmente vá desaparecendo pouco a pouco a promessa. De onde não somente nasceria uma ímpia ingratidão para com a misericórdia de Deus, mas também certa negligência em instruir nossos filhos na religião. Pois não é pequeno estímulo para incitar-nos a educá-los no verdadeiro temor de Deus e na observação da Lei saber que, imediatamente a partir de seu nascimento, segundo pensamos, ocupam o lugar de filhos, considerados legítimos. Portanto, a menos que seja lícito diminuir malignamente a beneficência de Deus, ofereçamos a Ele nossas crianças, às quais concedeu um lugar entre seus familiares e domésticos, isto é, os membros da Igreja.”…
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João Calvino – Instituição da Religião Cristã, TOMO 2, p.765 – Editora : UNESP
Fonte (Facebook) –  Rafael Castro
TOMO 1