Restauração de Israel, uma plenitude de bençãos

[Por: John Murray]

Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.
E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades.
E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados.
Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.
Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.
Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,
Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.
Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” [Romanos 11:25-32]

“…Por um lado, a “plenitude” de Israel redunda em bênçãos sem precedentes para os gentios (v.12,15). Por outro lado, a “plenitude dos gentios” assinala o término do endurecimento de Israel e sua restauração (v. 25). Porém, a coerência destas duas perspectivas não é prejudicada, se conservamos em mente a mútua interação entre judeus e gentios, visando a ampliação das bênçãos. Precisamos tão-somente aplicar o pensamento do versículo 31, de que, pela misericórdia demonstrada aos gentios, Israel também pode obter misericórdia. Mediante a plenitude dos gentios, Israel será restaurada (v.25); mediante a restauração de Israel, os gentios serão incomparavelmente enriquecidos (v.12,15). O único obstáculo a esse ponto de vista a respeita da seqüência é a suposição de que a “plenitude dos gentios” é a consumação das bênçãos destinadas aos gentios, não deixando lugar para maiores ampliações das bênçãos do evangelho. “A plenitude dos gentios” denota bênçãos sem precedentes para eles, mas não exclui as maiores bênçãos que seguirão. A restauração de Israel contribui para estas bênçãos subsequentes.

Não devemos esquecer que o principal interesse do apóstolo, no versículo 25, é a remoção do endurecimento de Israel e sua conversão, como um todo. Este é o tema dos versículos 11 a 32. Esta verdade é expressamente afirmada no versículo 12, reiterada, em termos diferentes, no versículo 15 e reiniciada no versículo 25. Nos versículos 17 a 22, Paulo achou necessário advertir os gentios contra a vanglória. No entanto, ele voltou ao tema da restauração de Israel, no versículo 23; recorreu a considerações demonstrando que Israel pode ser novamente enxertado, nos versículo 23 e 24; e apelou à revelação divina em uma final confirmação sobre a certeza desta seqüência de acontecimentos, no versículo 25.”…

Nota:

⁷ “Devemos lembrar que Paulo estava falando como profeta, εν αποκαλυψει, (1 Co 14:6), e, portanto, sua linguagem deve ser interpretada pelas regras de interpretação profética. Profecia não é história proléptica” (Charles Hodge, Commentary on the Epistle to the Romans, p. 588).

 Juntamente com a restauração de Israel, existe também a grande vantagem que caberá aos gentios proveniente dessa restauração (cf. v.12,15)
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John Murray –  Comentário Bíblico em Romanos (A plenitude dos gentios e a salvação de Israel)
Fonte: Monergismo