Envergonhado das Tendas de Sem? – Objeção ao cântico dos Salmos – 1

[Por: Johannes Geerhardus Vos]

“…1. Rejeição dos nomes adequados nos Salmos.
Sião ocorre 38 vezes no Saltério; Israel 62 vezes; Efraim 5 vezes; Melquisedeque uma única vez. Há inúmeros outros: Orebe e Zeebe, Zebá, Zalmuna, Jacó, Líbano, Cades, Jordão, Hermom, Mizar, Tiro, Siquém, Sucote, Gileade, Moabe, Edom, Egito, Etiópia, Társis, Sabá, Seba e assim por diante.

A objeção levantada é que estes personagens e lugares antigos não têm relação conosco hoje. Eles são apenas um monte de história empoeirada de dois ou três mil anos atrás. Por que deveríamos cantar sobre Zebá e Zalmuna? Isto soa como se tivéssemos que cantar sobre Hokus e Pokus, ou sobre Dasher, Prancer, Donder e Blitzen.¹ Dessa forma segue a objeção. Mas espere. Apesar de tudo, Zebá e Zalmuna não têm nada a ver conosco hoje? Se estivermos ligados à religião bíblica, perceberemos que há uma muita coisa. Nossa religião não caiu para nós do céu, diretamente de Deus. Ele nos deu-a através da história – da história de Israel. A história de Israel foi uma história de redenção pelo poder onipotente de Deus: ela foi uma história de derrota de inimigos poderosos pelo poder onipotente de Deus. Os inimigos eram reais: eles eram manifestações contemporâneas do reino de Satanás. Eles eram terrivelmente reais. Mas eles foram esmagados pelo maravilhoso poder do Deus onipotente, o Deus do pacto, Jeová, o Deus de Israel. Esta foi a importância de Zebá e Zalmuna.

Nossa religião hoje, se é for o Cristianismo Bíblico, é uma religião de poderosos inimigos sobrepujados pelo sobrenatural poder onipotente de Deus. Devemos sempre pensar, quando lemos ou cantamos sobre Zebá e Zalmuna, de como a salvação não é por nossa força, nem por nosso poder, mas pelo poder onipotente, pela graça sobrenatural, de Deus.

O mal não é abstrato, mas concreto; ele é identificado com pessoas em particular. Para destruir o mal, as pessoas devem tratar com o poderoso poder de Deus e com o Seu justo julgamento. Issac Watts disse que ele fazia Davi falar como um cristão. Ele desnaturalizou os Salmos, e os sofisticou. Watts falhou completamente em apreciar a real beleza e glória do Saltério. Desde o tempo de Watts, algumas denominações que cantam os Salmos têm evitado os nomes adequados do Saltério, e têm tentado tirar muitos deles dele. Sião é mudado para “a igreja”, e Jerusalém da mesma forma: muitos dos outros nomes são omitidos ou de alguma forma encobertos. Isto nos dá um Saltério desnaturalizado. Não é de se estranhar que o próximo passo é abrir mão dos Salmos na adoração. Eles já têm abandonado o real vigor, beleza e poder dos Salmos omitindo os nomes adequados.

Sião e Jerusalém são as tendas de Sem, e é plano de Deus para nós habitarmos nelas. Nos oporemos a isto? Aqueles que tentam eliminar os nomes adequados do Saltério demonstram uma carência de consciência vital da conexão orgânica do Evangelho com o Antigo Testamento. Eles falham em perceber que o real significado destes nomes adequados, como Sião, está intimamente relacionado com a doutrina Bíblica da salvação pela livre graça. Estes nomes adequados, e os Salmos com eles, devem ser usados na adoração a Deus até o fim do mundo. Eles são os registros de Deus, o monumento de Deus, à grande obra de redenção desenvolvida na história da passado. Estes nomes adequados não são a vergonha e a fraqueza dos Salmos; eles são a honra e a gloria dos Salmos.”…

¹ Nota do tradutor: Nome das quatro renas do Papai Noel.
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Johannes Geerhardus Vos – Ashamed of the Tents of Shem?: The Semitic Roots of Christian Worship
Fonte – Monergismo
Tradução – Felipe Sabino