Os Benefícios do Sofrimento

[Por: Thomas Brooks]

“…O que deveriam pensar os crentes quando Satanás os tenta com essas ideias?

Primeiro, eles devem lembrar que todos os problemas, pelos quais passa o povo de Deus, são destinados para o seu bem. Deus nunca manda o sofrimento para o Seu povo sem um bom propósito, mesmos que não possam entender naquele momento. Seguem-se alguns bons efeitos que frequentemente são resultados dos sofrimentos das pessoas piedosas: eles aprendem o quão maléfico é o pecado; o sofrimento pode afastá-los do pecado; o sofrimento pode torná-los dispostos a evitar o pecado no futuro. As disciplinas de Deus corrigem e ensinam os crentes para o seu bem, de modo que elas possam participar da Sua santidade (Hb 12:10-11). Apesar de a disciplina de Deus poder ser dolorosa quando aplicada, ela resulta em vida boa e grança benção nas vidas dos crentes.

Deus está habilitando os Seus servos: fazendo-os espiritualmente aptos e saudáveis – e o sofrimento faz parte do processo de treinamento. O sofrimento pode mantê-los humildes e tornar suas consciências sensíveis ao ensino do Espírito Santo. O sofrimento pode trazer os crentes para mais perto de Deus e fazê-los orar mais fielmente. “Antes de ser castigado, eu andava desviado, mas agora obedeço à Tua palavra” diz o salmista (Sl 119:67). O sofrimento também fortalece a vida espiritual dos crentes – eles crescem mais fortes no amor a Deus e ao Seu povo; mais fortes na fé, na esperança e até mesmo em alegria.

Segundo, os crentes devem lembrar que os problemas não podem afetar o que é mais importante para os cristãos, ou seja, que Deus os ama. Os problemas podem fazê-los sofrer no corpo e na mente ou até tirar-lhes a vida, mas nunca poderá separá-los do amor de Deus.

Terceiro, os crentes devem lembrar que os problemas que o povo cristão sofre são pequeno e momentâneos. Davi disse: “Pois a Sua Ira só dura um instante, mas o Seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir um noite, mas de manha irrompe a alegria” (Sl 30:5). Na realidade há um pequeno período de tempo entre o conhecimento da graça de Deus aqui na terra e o desfrutar a glória no céu, pois em breve, “Aquele que vem virá, e não demorará” (Hb 10:36-37). Este breve período de sofrimento logo passará, e os crentes estarão com Cristo para sempre.

Quarto, os crentes devem lembrar que os problemas que enfrentam vem do grande amor que o Senhor tem por eles. O Senhor Jesus disse: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (Ap 3:19). Deus está preparando os crentes para o céu, o que é muitas vezes doloroso. Assim, o fato de que Deus está cuidando tanto em prepará-los para o céu, mostra que Ele os ama muito.

Quinto, os crentes devem interpretar seu problemas com base nos seus resultados espirituais e não pela intensidade da dor que eles podem causar. O propósito de Deus pode ser discernido pelo resultado dos sofrimentos. José sofreu no Egito e foi feito prisioneiro. Mesmo assim, o propósito de Deus era que ele salvasse a sua família. José tornou-se o governador do Egito. Davi estava rodeado pelos inimigos e em grande perigo quando ainda jovem. Mesmo assim, tornou-se um rei poderoso e foi honrado pelo seu povo. Esse foi o propósito de Deus para Davi, embora fosse através do sofrimento que Ele o realizou. Da mesma maneira, os crentes devem avaliar os seus sofrimentos, não pela dor que causam, mas pelos resultados espirituais que produzem.

Sexto, o propósito de Deus em enviar um problema nunca é para fazer mal aos crentes ou para leva-los ao desespero. Deus não quer esmagá-los ou arruiná-los de tristeza. Deus quer testá-los e fortalecê-los, mas nunca destruí-los. Moisés lembrou os israelitas disso: “E te lembrarás de todo o caminho pelo o Senhor Teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardaria os Seus mandamentos, ou não” (Dt 8:2). “Para te humilhar e te provar” – esse foi o propósito de Deus, e não o de machucar e destruir.

Finalmente, os crentes devem lembrar sempre que as tristezas e as penúrias advindas do pecado são muito maiores e mais pesadas do que qualquer sofrimento que provém da piedade e santidade. O sofrimento causado pelo pecado não tem nele nada de bom. Não há esperança nem um bom propósito nele. Isaías disse: “Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo. Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz” (Is 57:20-21). O triste resultado do pecado contem somente o que é pavoroso e terrível: isto é, a santa e justa Ira de Deus; a oposição de Deus ao pecado e a Sua cólera.”…
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Thomas Brooks – Resista ao diabo – Um estudo da batalha espiritual dos crentes contra satanás
Fonte – Trilhando no caminho estreito