A instituição de dias como santos

[Por: João Calvino]

Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.” [Gálatas 4:10]

10. Guardais dias. Paulo cita a observância de dias como um dos exemplos dos “rudimentos”. Devemos, porém, observar que ele não está condenando a observância de datas civis nas disposições da sociedade. A ordem da natureza, da qual surge esta prática, é fixa e constante. Como são contados os meses e os anos, senão pelos movimentos do sol e da lua? O que distingue o verão do inverno, a primavera do outono, senão a ordenação de Deus — uma ordenação que Ele prometeu continuar até ao fim do mundo (Gn 8.22)? Essa observância civil de dias serve não somente para a agricultura, aos afazeres públicos e à vida comum, mas também ao governo da igreja. Que tipo de observância Paulo censurava? Era aquela observância que cegava a consciência, por motivos religiosos, como se tal observância fosse indispensável à adoração a Deus, e que, conforme ele mesmo nos diz na Epístola aos Romanos, faria distinção entre um e outro dia (Rm 14.5).

Quando certos dias são representados como santos em si mesmos; quando um dia é distinguido de outro por motivos religiosos; quando dias santos são considerados parte da adoração a Deus, então, os dias são observados de maneira incorreta.“…
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João Calvino – Comentários em Gálatas 4
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