A escolha dos escolhidos

[Por: Stephen Charnock]

“… Deus atua soberanamente como Dono de todas as coisas. Ele livremente escolheu desde a eternidade um número de pessoas para serem objetos de Sua graça. Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo (Efésios 1:4). Por que Ele escreveu alguns nomes em Seu livro e outros não? Se buscarmos uma resposta para esta questão, até onde nos é possível encontrá-la, a resposta seria: que Ele assim o fez segundo o beneplácito de sua vontade (Efésios 1:5). Deus disse à Moisés: “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia” (Romanos 9:15). Se o motivo desta escolha estar baseado na soberania de Deus, e ainda assim não ficarmos satisfeitos com a resposta, nenhuma outra razão poderá ser encontrada. O motivo pelo qual Deus fez tal escolha, não está no fato de haver algum tipo de mérito da parte daqueles a quem Ele escolheu. Todo homem procede do mesmo caco de barro contaminado pelo pecado de Adão. Somos todos filhos da ira e merecemos tão somente a condenação. Esta escolha também não estava baseada em qualquer obra de justiça que Deus anteviu que faríamos. As únicas obras que Deus poderia ter antevisto nos pecadores seriam obras de corrupção. Ele nos escolheu para que fôssemos santos, não porque já éramos santos (Efésios 1:4). Nossas boas obras são o fruto, e não a causa, da escolha de Deus. Ele nos salva para que possamos praticar as boas obras, determinando assim estas mesmas obras de antemão (Efésios 2:10). Até mesmo a fé, pela qual nos entregamos a Cristo, é dada por Deus (Efésios 2:8). Este dom é peculiar dos escolhidos segundo a fé dos eleitos de Deus (Tito 1:1). Se a fé prevista fosse a razão da escolha de Deus, então Deus seria chamado de “nosso Eleito”, e não nós “Seus eleitos”. Os homens não são escolhidos porque creram, mas creram porque são escolhidos. Se qualquer coisa prevista fosse a razão da escolha de Deus, então Ele teria que escolher os anjos, já que Ele poderia ter previsto um serviço muito melhor da parte deles do que do homem. Mas Ele rejeitou os anjos caídos totalmente, e assim como alguns homens. Ele é tão livre para agir, que poderia salvar a todos, ou absolutamente ninguém. Aqueles que condenam a liberdade da escolha de Deus, é porque possuem uma visão muito rasa da natureza do pecado, ou do caráter de Deus. Eles atribuem a Deus menos soberania do que aquela que um artesão tem sobre sua obra de madeira ou pedra. Não deveríamos pensar que a escolha de Deus foi sem pensar, mas antes fundamentada na sabedoria que está muito além do nosso alcance. No final, a razão da escolha de Deus encontra-se Nele mesmo.”…
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Stephen Charnock – The Existence and Attributes of God (Cap. XIII – O Domínio de Deus)
Tradução – Eduardo Cadete
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