As Particularidades dos Pactos de Deus

[Por: Herman Witsius]

“…Nas Escrituras, encontramos dois pactos de Deus com os homens: O Pacto das Obras, também conhecido como Pacto da Natureza ou Pacto Legal (Pacto da Lei); e o Pacto da Graça. O apóstolo nos ensina esta distinção em Romanos 3:27 onde ele menciona a Lei das Obras e a Lei da Fé; pela Lei das Obras entendemos que essa doutrina nos mostra o caminho pelo qual a salvação é obtida, isto é, pelas obras; e pela Lei da Fé a doutrina que nos dirige pela fé a obter a salvação. A forma do Pacto das Obras é: “O homem que fazer estas coisas, viverá por elas” (Romanos 10:5). Já no Pacto da Graça é: “Todos aquele que crer, não será envergonhado” (Romanos 10:11).

Estes Pactos concordam. Primeiro, porque em ambos os contratantes do pacto são os mesmos, Deus e o homem. Segundo, em ambos a mesma promessa de vida eterna que consiste na fruição imediata de Deus. Terceiro, a condição de ambos os Pactos são os mesmos, a saber: obediência perfeita à Lei. Não teria sido digno de Deus admitir o homem a uma abençoada comunhão com Ele, senão pela busca da santidade irrepreensível. Quarto, em ambos o mesmo fim: a glória da bondade imaculada de Deus.

Porém, são diferentes nas seguintes particularidades.

Primeiro, o caráter da relação de Deus com o homem, no Pacto das Obras, é diferente no Pacto da Graça. No primeiro, Deus trata como o Legislador Supremo e a suma bondade, regozijando-se em fazer a sua inocente criatura um participante de sua felicidade. No segundo, como o infinito misericordioso, conferindo vida ao pecador eleito sendo consistente com Sua sabedoria e justiça.

Em segundo lugar, no Pacto das Obras não há Mediador. No da Graça, Jesus Cristo é o Mediador.

Em terceiro lugar, no Pacto das Obras, a condição de obediência perfeita foi requerida e deveria ser obtida pelo próprio homem que havia sido consentido a ele. No Pacto da Graça, a mesma condição de ser perfeita é proposta, a qual, já foi cumprida por um Mediador. E, nesta substituição da pessoa, consiste a diferença principal e essencial dos Pactos.

Quarto, no Pacto das Obras, o homem é considerado como o realizador e sua recompensa é dada como um pagamento: e, assim, a jactância do homem não deve ser excluída, porque o homem pode se gloriar como um servo fiel faz quando cumpre o seu dever, e pode reclamar a recompensa prometida por sua obra. No Pacto da Graça, o homem ímpio é considerado no Pacto como um crente; e a vida eterna é considerada como mérito do Mediador e dada ao homem por graça, a qual exclui toda jactância, a não ser de se vangloriar, como crente pecador, em Deus como seu Salvador misericordioso.

Quinto, no Pacto das Obras, algo é requerido do homem como uma condição, o qual sendo cumprida dará direito a recompensa. Já no Pacto da Graça, com respeito a nós, consiste na promessa absoluta de Deus, na qual o Mediador, a vida a ser obtida por Ele, a fé pela qual podemos ser participantes dEle, os benefícios adquiridos por Ele e a perseverança nessa fé [são prometidas]; em uma palavra, a completa salvação, e todos os requisitos para ela, são absolutamente prometidos.

Sexto, o fim especial do Pacto da Obra, foi a manifestação da santidade, da bondade e da justiça de Deus, conspícuo na Lei mais perfeita, na promessa mais generosa, e na recompensa do galardão, para dá àqueles que o buscam com todo o coração. O fim especial do Pacto da Graça é o louvor da gloria de sua graça (Efésio 1:6) e a revelação de sua inescrutável e multiforme sabedoria: A perfeição divina brilha com resplendor na dádiva de um Mediador, por quem o pecador é admitido (aceito) a uma salvação completa, sem qualquer desonra a santidade, a justiça, e a verdade de Deus. Há também uma demonstração da completa suficiência de Deus pela qual, não apenas um homem, mas até mesmo um pecador, o que é mais surpreendente, pode ser restaurado a união e comunhão com Deus.”…
___________________________________________________________________
Herman Witsius – The Economy of The Covenants Between God and Man – Book I, Chapter XV.
Tradução – Eduardo Almeida
Revisão – Joelson Galvão
Fonte – Presbiteriano Reformado
Outras obras – AQUI.