Jesus Cristo – Deus e Homem

[Por: Theodore Beza]

“…Por que era necessário que Jesus Cristo fosse verdadeiro homem em natureza, em seu corpo e em sua alma, mas sem nenhum pecado?

Era necessário que o Mediador desta aliança e reconciliação fosse verdadeiro homem, mas sem qualquer mancha do pecado original ou qualquer outro, pelas seguintes razões: Em primeiro lugar, uma vez que Deus é muito justo e o homem é o objeto da sua ira, por causa da corrupção natural (1 Timóteo 2.5; João 1.14; Romanos 1.3; Gálatas 4.4; Romanos 8.2-4; 1 Coríntios 1.30), para reconciliar os homens com Deus, era necessário que existisse um verdadeiro homem em quem as ruínas causadas por esta corrupção fossem totalmente restauradas.

Em segundo lugar, o homem é ordenado a cumprir toda a justiça que Deus exige dele para ser glorificado (Mateus 3.15; Romanos 5.18; 2 Coríntios 5.21). Era necessário, portanto, que houvesse um homem que cumprisse perfeitamente toda a justiça para agradar a Deus.

Em terceiro lugar, todos os homens são cobertos com um número infinito de pecados, tanto interiores quanto exteriores; por isso estão sujeitos à maldição de Deus (Romanos 3.23-26; Isaías 53.11; etc.). Era necessário, portanto, que existisse um homem que satisfizesse plenamente a justiça de Deus a fim de pacificá-lo.

Finalmente, nenhum homem corrupto seria capaz, de qualquer forma, de começar a cumprir a menor dessas ações. Antes de tudo, ele necessitaria de um Redentor para si mesmo (Romanos 8.2; 2 Coríntios 5.21; Hebreus 4.15; 1 Pedro 2.22, 3.18; 1 João 2.1-2). Muito seria necessário para si mesmo antes de poder redimir os outros, ou de poder fazer qualquer coisa agradável ou satisfatória para Deus (Romanos 14.23, Hebreus 11.6). Era necessário, portanto, que o Mediador e Redentor dos homens fosse verdadeiro homem em seu corpo e em sua alma, e que, no entanto, fosse inteiramente puro e livre de todo pecado.

Por que era necessário que Jesus Cristo fosse verdadeiro Deus?

Era necessário que esse mesmo Mediador fosse verdadeiro Deus e não somente homem (João 1.14; etc); no mínimo, pelas seguintes razões:

Em primeiro lugar, se Ele não fosse verdadeiro Deus, ele absolutamente não seria Salvador, mas precisaria de um Salvador (Isaías 43.11; Oséias 13.4; Jeremias 17.5-8).

Em segundo lugar, é necessário, a partir da justiça de Deus, haver uma relação entre o crime e sua punição. O crime é infinito, porque é cometido contra aquele cuja majestade é infinita. Portanto, aqui há necessidade de uma satisfação infinita; pela mesma razão, era necessário que aquele que o realizasse como homem verdadeiro fosse também infinito, ou seja, verdadeiro Deus.

Em terceiro lugar, a ira de Deus sendo infinita, não havia nenhuma força humana ou angélica conhecida que pudesse suportar tal peso sem ser esmagada (João 14.10,12,31, 16.32; 2 Coríntios 5.19). Aquele que viveria novamente, depois de ter derrotado o Diabo, o pecado, o mundo e a morte unidos à ira de Deus, precisava ser não somente homem perfeito, mas também verdadeiro Deus.

Por fim, para melhor manifestar esta incompreensível bondade, Deus não desejou que Sua graça fosse apenas igual ao nosso delito; ele quis que, onde abundou o pecado, a graça superabundasse (Romanos 5.15-21). Por isso, enquanto foi criado à imagem de Deus, o primeiro Adão, o autor do nosso pecado, era terreno, como a sua fragilidade se evidenciou (1 Coríntios 15.45-47). Jesus Cristo, pelo contrário, o segundo Adão, por meio do qual somos salvos, embora seja verdadeiro e perfeito homem, é, contudo, o Senhor vindo do céu, isto é, o verdadeiro Deus. Pois, em essência, toda a plenitude da divindade habita nele (Colossenses 2.9). Se a desobediência de Adão nos fez cair, a justiça de Jesus Cristo nos dá mais segurança do que tínhamos anteriormente. Nós esperamos pela vida adquirida por Jesus Cristo, que é melhor do que a que perdemos em Adão; assim como Jesus Cristo sobrepuja Adão.”…
___________________________________________________________________
Theodore Beza – Jesus Christ the Son of God
Fonte – Voltemos Ao Evangelho
Tradução: Camila Rebeca Teixeira
Revisão: William Teixeira