Dias, e meses, e tempos, e anos eram sombras de Cristo

[Por: John Gill]

Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.” [Gálatas 4:10]

“…Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Que não seja pensado que o apóstolo sugeriria, sem fundamento, a inclinação dessas pessoas para a servidão às cerimônias da lei, ele fornece isso como um exemplo; o qual deve ser entendido, não de uma observação civil de tempos, dividido em dias, meses e anos, pois, observar os luminares dos céus, verão e inverno, sementeira e sega não é apenas legítimo, mas absolutamente necessário; mas o apóstolo refere-se a uma observação religiosa de dias, etc.; não os dias de sorte e azar, ou de qualquer um dos festivais dos gentios, mas de judeus. Por “diassão intencionados o seu sétimo, ou sábados; pois, uma vez que se distinguem dos meses e anos, eles devem dizer tais dias como semanais; e o que mais estes dias podem ser, senão os seus sábados semanais? Estes eram peculiares aos israelitas, e que não envolve outros; e sendo típico de Cristo, o verdadeiro descanso de Seu povo, e Ele vindo, estes agora cessaram.

Por “meses” são designadas as suas luas novas, ou o início de seus meses, quando do aparecimento de uma lua nova, que eram observados por tocar trombetas, oferecer sacrifícios, ouvir a Palavra de Deus, abstrair-se do trabalho e a observação de festas religiosas; e eram típicas daquela luz, conhecimento e graça, que a Igreja recebe de Cristo, o sol da justiça; e Ele, a substância, tendo vindo, essas sombras desapareceram.

Por “tempos”, intencionam-se três vezes no ano, quando os homens judeus apareciam diante do Senhor em Jerusalém, para observar as três festas — Tabernáculos, Páscoa e Pentecostes —, cuja observância agora não havia razão de ser; não da festa dos Tabernáculos, uma vez que a Palavra Se fez carne, e habitou entre nós; nem da Páscoa, uma vez que Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós; nem de Pentecostes, ou a festa das semanas, ou dos primeiros frutos da colheita, uma vez que o Espírito de Deus foi derramado de forma abundante naquele dia sobre os apóstolos; e quando as primícias de uma colheita gloriosa foram trazidas para o Senhor, na conversão de três mil almas.

E por “anos” devem ser entendidos os seus anos sabáticos; cada sétimo ano a terra teria um descanso, e permaneceria inutilizada; não havia aração nem semeadura, e havia um perdão geral dos devedores; e a cada cinquenta anos, havia um jubileu para o Senhor, quando a liberdade aos servos, os devedores, etc. era proclamada em toda a terra. Todos estes eram tipos do descanso, pagamento de dívidas e da liberdade espiritual por meio de Cristo; e que tendo o seu cumprimento nEle, já não deveriam ser observados;”…
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John Gill – Comentário na Epístola aos Gálatas
Fonte: O Estandarte de Cristo