O Cisma Pecaminoso

[Por: James Bannerman]

“…Em segundo lugar, os princípios apresentados demonstram o mal dos cismas, ou da separação sem fundamento na igreja. Era a intenção de Cristo que sua igreja visível fosse católica e uma só; e que, apesar da disseminação em todo lugar, por todo o mundo, de comunidades separadas de cristãos professos, ela fosse em realidade uma só, compreendendo todos e unindo todos, não fosse pelas fraquezas pecaminosas dos seus membros. Não pode ser ofensa pequena aquela que faz o reino único de Deus nesse mundo parecer um reino dividido contra si mesmo, e propenso a desabar. De fato, seria impossível negar que pode haver razões concretas e suficientes para separar-se de algumas igrejas locais específicas. Não pode haver dúvida de que uma igreja específica possa apostatar da fé, ou ser culpada de impor sobre seus membros condições de comunhão com as quais seria pecado condescender; e num caso assim, a separação torna-se uma obrigação necessária, e não uma ofensa que se deve evitar.

Mas em circunstâncias assim, o cisma não deve ao partido que está se apartando, mas à igreja que compele à separação e a provoca. Dessa forma, ao sairmos dela, em vez de infringirmos, na verdade mantemos a elevada unidade da única igreja de Cristo.

Mas, se as partes se separam da comunhão da igreja visível de forma arbitrária, e sem fundamento suficiente, cometem grave e séria ofensa contra a autoridade de Cristo em sua casa. Separar-se da comunhão da igreja visível, e alargar as suas brechas de modo intencional, e por razões triviais, é colocar-se contra o desejo e o desígnio de Cristo de que o seu reino neste mundo fosse católico e uno. E quando o cisma se agrava pelo permanente abandono de unia profissão eclesiástica e de uma forma eclesiástica — quando a separação sem fundamento de qualquer igreja de Cristo se segue do repúdio de todos — quando se refuga a profissão exterior que torna alguém membro da igreja visível, e se renega toda comunhão cristã, incorre-se em culpa devastadora. “A igreja visível”, diz a Confissão de Fé, “é a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação. (48)”…

48. CFW, XXV.2. [Calvino, Institutas IV.1.2-4, 12ss; Durham, On Scandal, Parteiv; M’Crie, Unitu of the Church, p.76-88; Owen, On Schism, Works, vol. xiii, edição de Goold, p. 112-114.]
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James BannermanA Igreja de Cristo – Editora Os Puritanos, posição Kindle 1290 e 1319