A Igreja e a Liberdade de Consciência

[Por: James Bannerman]

“…Há uma posição que Deus concedeu à igreja cristã em relação à consciência e às coisas relacionadas à consciência, que não pode ser negligenciada. Como o Estado, a igreja é uma ordenança de Deus; e, como o Estado, ela foi dotada por Deus com uma certa medida de autoridade que lhe pertence exclusivamente, a qual lhe dá direito de reivindicar e receber uma certa medida de obediência da parte dos seus membros.

A igreja, por exemplo, tem poder em assuntos de fé, não propriamente para, de forma arbitrária, ditar uma nova verdade ou uma nova doutrina, e decidir em favor dos seus próprios propósitos sobre a fé e o credo dos seus membros. Essas decisões com respeito às controvérsias de fé, e essas declarações da verdade de Cristo, se estiverem em consonância com a Palavra de Deus, devem ser recebidas pelos seus membros, os quais devem submeter-se a elas, não apenas ou meramente porque estão em consonância com a Palavra, mas por causa da autoridade por meio da qual elas são feitas ordenança de Deus com essa finalidade.

A igreja também possui poder em matéria de disciplina; na verdade não de forma compulsória, para manejar o poder das chaves, mas para agir por meio de admoestação, repreensão, reprovação espiritual, e finalmente por meio da excomunhão, para recuperar ou isolar os transgressores, e manter a honra de Cristo e a pureza da sua casa e do seu reino. E essa disciplina, também, deve ser reverenciada e a ela os membros devem submeter-se por causa da autoridade da igreja, que foi divinamente apontada para exercê-la. Aqui, também, então, deparamo-nos com o exercício legítimo de uma autoridade legítima que muitas vezes precisa entrar em contato com a liberdade de consciência dos indivíduos. E a consciência pode ser alegada, e alegada com honestidade, em favor de opiniões e práticas no caso dos seus membros, a respeito das quais pode ser correto e indispensável que a igreja condene e restrinja por meio da autoridade espiritual que lhe foi confiada.

Devemos dizer que a espada espiritual deve ser suspensa, e a autoridade da igreja deve fazer trégua, por causa do argumento da consciência por parte do transgressor? Devemos dizer que o exercício dessa autoridade é ilegítima, e as suas repreensões são nulas e anuladas porque a liberdade de consciência é alegada para fazer frente a elas? Fazê-lo seria negar por completo o direito de autoridade da igreja; seria colocar de lado, em qualquer caso em que se fizesse apelo à consciência, de todo juízo eclesiástico ou qualquer restrição com respeito ao transgressor, e fazer da religião um assunto de concernência inteiramente pessoal, a respeito do qual a igreja não teria direito de interferir e não teria autorização de agir. Uma interpretação dessas da liberdade de consciência por parte dos membros eliminaria por completo a autoridade da igreja, e deixaria o reino de Cristo sem governo nem ordem, totalmente impotente para corrigir o erro ou para reprimir as transgressões, e sem poder nenhum para proteger a sua própria comunhão de descarada profanação e desonra.”…
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James BannermanA Igreja de Cristo – Editora Os Puritanos, 2014.