O Pecado e os seus Prejuízos

[Por: John Owen]

“…O pecado sempre visa produzir o máximo prejuízo: se toda vez que surge para tentar ou para seduzir, tivesse liberdade de atuação levaria até ao pecado supremo de sua espécie. Todo pensamento ou olhar impuro se transformaria, se pudesse, em adultério; cada desejo cobiçoso se traduziria em opressão; cada pensamento incrédulo seria ateísmo, se tivesse licença de crescer até se completar. Os homens chegariam a ponto de, sem perceber uma voz escandalosa falando-lhes ao coração, praticar grandes pecado de escândalo com a boca; e cada tentação à concupiscência, recebendo liberdade de agir, chegaria ao auge da iniquidade. É como a cova, que nunca está satisfeita. Nisso se acha boa porção do engano do pecado, que assim prevalece a fim de endurecer o coração das pessoas, levadas finalmente à ruína (Hb 3:13). É sutil, por assim dizer, em seus primeiros movimentos e propostas, mas tendo, por esse meio, conseguido acesso direto ao coração, avança firme e ganha mais terreno. Essa nova atuação e essa incursão não deixam a alma perceber, de fato, que a invasão já ocorreu para levar à apostasia a Deus. A alma pensa que está tudo mais ou menos bem, se não houver mais progresso. Quanto mais a alma é deixada insensível à presença de qualquer pecado, isto é, no sentido que o evangelho define, tanto mais é endurecida. Mas, o pecado continua pressionando aos poucos, pois seu alvo é levar a alma a abandonar totalmente a Deus e até a opor-se a ele. O fato de o pecado aproximar-se de seu auge, paulatinamente, aproveitando o terreno já conquistado pelo endurecimento, não provém tanto de sua natureza, mas de sua fraudulência.

Logo, somente a mortificação pode impedir que isso ocorra. A mortificação seca a raiz do pecado e lhe fere a cabeça, hora após hora, de modo que todos os seus intentos sejam obstruídos. Não existe no mundo inteiro alguém maravilhosamente santo que, caso se torne relapso quanto a esse dever, não caia em tantos pecados malditos quantos os cometidos por qualquer membro da raça humana.”…
__________________________________________________________________
John Owen – A mortificação do pecado, São Paulo: Editora Vida, 2005. p. 39-40.
Fonte: Caroline Stefanie