A Ação do Espírito Santo e a Obrigação Cristã

[Por: John Owen]

“…Objeção: Mas se a salvação é do começo ao fim obra soberana do Espírito Santo, portanto nada podemos fazer efetivamente que produza a nossa salvação. Qual então é a utilidade de todos os mandamentos, ameaças, promessas e exortações da Escritura?

Resposta: Nunca devemos olvidar a verdade de que verdadeiramente é o Espírito Santo que opera em nós todo o bem espiritual. A Bíblia nos ensina que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum” (Rm 7:18). Somos ensinados que por nós mesmos não somos “capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3:5. Veja também 2Co 9:8; Jo 15:5; Fp 2:13). Ao dizermos que existe em nós algum bem que não seja obra do Espírito Santo destruímos o evangelho e negamos duplamente que Deus seja o único bem e que somente ele pode nos tornar bons.

Utilizar esse argumento como desculpa para não se fazer nada é resistir à vontade de Deus. Deus promete operar em nós aquilo que requer de nós. Há na Escritura muitos exemplos de pessoas que foram ordenadas a fazer aquilo que lhes era impossível. Entretanto, quando se dispuseram a obedecer, encontraram o poder curador de Deus habilitando-as a fazer aquilo que anteriormente lhes parecera impossível. Por exemplo, o homem da mão mirrada, a ressurreição de Lázaro, e o filho da viúva de Naim.

Nosso dever é tentar obedecer aos mandamentos de Deus, e a sua obra é nos capacitar a obedecê-los. Portanto, aqueles que cruzam os braços e nada fazem — porque dizem que nada podem fazer até que Deus opere neles a graça — mostram que não possuem qualquer interesse ou preocupação com as coisas de Deus. Onde ninguém faz nada, o Espírito Santo também nada faz.

Embora não possa haver graça no crente senão pelo Espírito Santo, entretanto, crescer em graça, progredir firmemente em santidade e justiça, depende do uso que o crente faz da graça que recebeu. Foram-nos dados braços e pernas. Para que cresçam fortes e saudáveis, devem ser usados. Não usá-los será a forma mais eficaz de perdê-los. Por esse motivo, ser preguiçoso e negligente nas coisas das quais dependem o nosso crescimento espiritual, e que dizem respeito ao bem-estar eterno da alma, sob o pretexto de que sem o Espírito nada podemos fazer, é tanto estúpido quanto irracional, além de perigoso.”…
___________________________________________________________________
John Owen – O Espírito Santo – Editora Os Puritanos, pp.43-44
Fonte: Flavio Moreira (Facebook)