A Perfeição da Lei de Deus

[Por: Martinho Lutero]

“…A lei é tão rica e completa em si mesma, que nada se lhe precisa acrescentar. Pois também os próprios apóstolos têm que provar o Evangelho e a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento. Por isso, ninguém pode melhorar a lei, nem o próprio Cristo. Pois, que se pode fazer ou ensinar de mais sublime do que o que ensina o primeiro mandamento: ‘amarás a Deus de todo o coração’, etc.? Isso ele faz, certamente, quando, além da lei e da doutrina, dá sua graça e seu espírito, a fim de capacitar-nos a fazer e cumprir o que a lei exige. Isso, porém, não significa acrescentar algo à lei. E também não é disso que fala aqui, e, sim, do cumprimento através do ensinamento. Analogamente, ‘abolir’ não significa fazer obras contrárias à lei, e, sim, prejudicar a lei com ensinamentos. Por isso, não se diz aqui outra coisa do que S. Paulo escreve em Romanos 3:31: ‘Acaso anulamos a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei’, ou seja: ele não quer trazer uma nova doutrina, como se a anterior não valesse mais, antes, quer pregar aquela doutrina de modo correto e destacar o verdadeiro cerne e a verdadeira compreensão, para que aprendam o que a lei é e quer, contrário às interpretações insinuadas pelos fariseus, pregando, apenas, sua casca ou vagem. Em analogia, podemos dizer a nossos papistas: não queremos anular o Evangelho, nem pregar outro. Queremos apenas purificá-lo e poli-lo como a um espelho obscurecido e estragado pelas imundícies de vocês, de modo que nada restou senão o nome ‘Evangelho’, no qual ninguém podia enxergar algo com nitidez. Assim, também, os mestres judeus preservaram o texto da lei, mas deturparam-no com seus acréscimos, de modo que não sobrou nem compreensão nem uso apropriado.”…
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Martinho Lutero – Martinho Lutero, Comentário de Mateus 5:17
Fonte – Rev. Frank Brito (Facebook)