COMO MORTIFICAR o PECADO

[Por: John Owen]

“…Determine que irá, todo dia e em toda situação, extirpar e destruir esse princípio regente de pecado. Ele só morrerá se for gradualmente e constantemente enfraquecido. Poupe-o e ele sarará as feridas e recuperará as forças. A negligência permite que o pecado recobre as suas forças de um modo tal que talvez jamais nos restauremos à condição anterior enquanto vivermos.

Devemos ser continuamente vigilantes contra o surgimento desse princípio regente de pecado para subjugá-lo imediatamente. Isso deve ser feito em tudo o que somos ou fazemos. Devemos ser vigilantes quanto ao nosso comportamento para com outros, vigilantes quando estivermos sozinhos, vigilantes quando enfrentamos problemas ou quando nos alegramos. Devemos ser particularmente vigilantes em nossos momentos de lazer e nas tentações.

Delibere que não será mais servo do pecado (Rm 6.6). Veja isso como o pior serviço que uma criatura racional é capaz de fazer. Sirva ao pecado e ele lhe levará a um terrível fim. Decida que apesar do pecado ainda permanecer em você, você não o servirá. Lembre-se, se o “velho homem” não está crucificado com Cristo, então você ainda é um servo do pecado, não importa o que pensa de si mesmo.

Compreenda que mortificar o pecado não é uma tarefa fácil; ele é um inimigo poderoso e terrível. Toda criatura viva faz qualquer coisa ao seu alcance para salvar a própria pele; por isso o pecado lutará para salvar a dele. Se não for diligentemente caçado e subjugado com santa violência, escapará de todas as nossas tentativas de matá-lo. É um grande erro pensar que podemos abrir mão desse dever a qualquer hora. O princípio regente do pecado que deve ser morto reside em nós e, portanto, controla todas as nossas faculdades. O pecado não pode ser morto sem a sensação de dor e perturbação. Por essa razão, Cristo comparou isso com o “cortar fora a mão direita” e “arrancar o olho direito”. A batalha não é contra qualquer paixão em particular, mas contra toda paixão pecaminosa que guerreie contra a alma.

A mortificação que procede da consciência da condenação da lei conduz somente ao trato de pecados específicos e é sempre infrutífera. A verdadeira mortificação do pecado trata de todo o corpo do pecado; ela vai ao cerne da questão e corta o mal pela raiz. É essa a mortificação que o Espírito Santo leva o crente a fazer.

A mortificação de pecados particulares resulta de uma consciência culpada, mas a mortificação movida pelos princípios do evangelho trata de todo o corpo do pecado na sua oposição à renovação da imagem de Deus em nós.”…
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John Owen – O Espírito Santo – Editora Os Puritanos