A Exclusão da Ceia do Senhor

[Por: Johannes Geerhardus Vos]

Pergunta 173. Pode-se excluir da Ceia do Senhor alguém que professa a fé, e deseja nela tomar parte?

Resposta. Aqueles que forem achados ignorantes ou em escândalo, apesar de professarem a fé e desejarem participar da Ceia do Senhor, podem e devem ser excluídos deste sacramento, pelo poder que Cristo deixou à Sua igreja, até que sejam instruídos e manifestem transformação.

Catecismo Maior de Westminster
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4. Que categoria de pessoas deve ser excluída da Ceia do Senhor?
Aqueles que forem achados ignorantes ou em escândalo”. com o termo “ignorantes” o Catecismo refere-se às pessoas que não professam a fé apropriadamente. A profissão de fé do ignorante não é válida para recebê-lo como membro de igreja, nem admiti-lo à Ceia do Senhor. Essa inadequação pode decorrer tanto pela falta de informação, quanto pela adoção de uma falsa doutrina pelo candidato. Assim, um candidato que não sabe que Cristo morreu na cruz para salvar pecadores ou desconhece que a salvação é pela livre graça de Deus e não pelas obras, teria uma profissão de fé inadequada por falta de informação. Por outro lado, o candidato que professa crer na paternidade universal de Deus e na fraternidade universal do homem, teria uma profissão de fé inadequada por defender uma doutrina falsa. Os dois tipos de ignorância – a pura falta de conhecimento e a profissão de um erro – constituem base legal legítima para a exclusão da Ceia do Senhor ou da membresia da igreja (Tt 3:10).

Com a expressão “em escândalo” o Catecismo refere-se às pessoas cuja profissão de fé não pode ser considerada pelo seu valor intrínseco, porque é contraditada pelo modo de vida delas. “Escândalo” não significa pecados ou faltas quaisquer, mas apenas aquela conduta pecaminosa que invalida a profissão de fé da pessoa e torna impróprio admiti-la à Ceia do Senhor ou como membro da igreja. Tal escândalo pode assumir as mais variadas formas e as circunstâncias devem-se levar em consideração para se chegar a uma justa decisão quanto a isso.

O Catecismo, sabiamente, não procura apresentar uma definição pronta de ignorância ou de escândalo. Ele expõe o princípio – que é indubitavelmente bíblico e, portanto, válido – e deixa sabiamente a sua precisa aplicação para os tribunais da igreja, diante dos quais esses assuntos são decididos apropriadamente. A decisão quanto a se um candidato em particular é ignorante ou se está em escândalo (de modo a excluí-lo da membresia da igreja ou da Ceia do Senhor) deve ser tomada pelos oficiais da igreja cujo o dever é examinar a sua candidatura. Com o passar do tempo, toda denominação religiosa acumula um volume de precedentes de decisões de casos assim, que resulta na jurisprudência da igreja para decidir casos semelhantes. Assim, uma denominação pode ter como regra ou lei da igreja que apostadores profissionais não podem ser recebidos como membros da igreja, nem tomar parte na Ceia do Senhor; ou certa denominação pode estabelecer uma lei em que membros ajuramentados de sociedades secretas devem ser excluídos de seu rol. Nesses casos as denominações aplicaram os princípios firmados no Catecismo, no qual o ignorante e o escandaloso nem devem ser aceitos.”
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Johannes Geerhardus Vos – Catecismo Maior de Westminster Comentado, Editora Os Puritanos