Visões do Céu, um Teste de Caráter

[Por: John Owen]

“…Podemos examinar desta forma tanto as nossas próprias noções do estado de glória como nossas preparações para ele, e se estamos, em qualquer medida, “participando da herança dos santos na luz”. Vários são os pensamentos dos homens a respeito do estado futuro, – as coisas que não são vistas, as quais são eternas. Alguns não vão além de esperanças de escapar do inferno, ou das misérias sem fim, quando morrerem. Mesmo os pagãos tinham seus campos Elíseos, e Maomé o seu paraíso sensual. Outros têm apreensões de não sei que tipo de glória reluzente, que os agradará e satisfará, de uma maneira que eles não sabem como, quando não puderem mais estar aqui. Mas este estado é de uma natureza completamente diferente, e sua bem-aventurança é espiritual e intelectual.

Tome um exemplo de uma das coisas antes descritas. A glória do Céu consiste na plena manifestação da sabedoria, bondade, graça e santidade divina, – de todas as propriedades da natureza de Deus em Cristo. Na clara percepção e constante contemplação disto, consiste grande parte da eterna bem-aventurança. Quais, então, são os nossos presentes pensamentos acerca destas coisas? Que alegria, que satisfação temos em vista delas, as quais temos pela fé através da revelação divina? Qual o nosso desejo de vir a compreendê-las perfeitamente? O quanto gostamos deste Céu? O que encontramos em nós mesmos que será eternamente satisfeito com isto?

De acordo com os nossos desejos que estão por trás disto, assim, e de nenhum outro modo, são os nossos desejos do verdadeiro Céu, – De modo algum Deus nos levará ao céu, quer queiramos ou não, se, pela ignorância e escuridão das nossas mentes, – se, pelo mundanismo e sensualidade de nossas afeições, – se, pela plenitude do mundo e suas ocasiões, – se, por amor a vida e nossos prazeres presentes, somos estranhos a estas coisas, não estamos familiarizados com elas, não temos muito tempo diante delas, – não estamos no caminho rumo à sua apreciação. A presente satisfação que recebemos nelas pela fé, é a melhor evidência que temos de um interesse irrevogável nelas.

Quanta tolice é perder os primeiros frutos dessas coisas em nossas próprias almas, – aquelas entradas na bem-aventurança, as quais a contemplação delas pela fé abriria para nós, – e arriscar nossa alegria eterna nelas, por uma busca ansiosa de um interesse por coisas que vão perecendo aqui embaixo! Isto, isto sim é o que arruína as almas da maioria, e mantêm a fé de muitos em uma maré tão baixa que é difícil descobrir qualquer obra dela.”…
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John Owen – Views of Heaven a Test of Character
Fonte –  Em defesa da graça
Tradução – Nelson Ávila