Prova de que o Uso de Imagens é Ilícito 2

[Por: François Turretini]

“…2. COM BASE NA NATUREZA DE DEUS

VI. Segundo, Deus, sendo ilimitado (apeiros) e invisível (aoratos), não pode ser representado por nenhuma imagem: “Com quem comparareis a Deus? Ou, que coisa semelhante” (ou “imagem”, como diz a Vulgata) “confrontareis com ele?” (Is 40.18). Paulo se refere a isto em Atos 17.29: “Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem”. Daí Deus, ao promulgar a lei, quis exibir não sua própria semelhança, para que o povo entendesse que devem abster-se de toda imagem dele como algo ilícito; sim, até mesmo impossível: “Guardai, pois, cuidadosamente, vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher” (Dt 4.15,16). Isto o apóstolo condena nos gentios “que mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Rm 1.23). Aliás, isto não era algo desconhecido de vários gentios, os quais julgavam ilícito desejar representar a deidade por meio de uma imagem. Plutarco: “Entretanto, ele (Numa)[i] proíbe qualquer imagem de Deus, semelhante ao homem ou a algum animal; nem houve antes entre eles alguma representação esculpida ou entalhada de Deus. De fato, durante todos aqueles 160 anos precedentes, eles continuamente edificavam templos e erigiam edifícios sagrados ou santuários; contudo não faziam nenhuma representação corpórea, julgando que não era santo assemelhar coisas melhores às piores, e que Deus não podia ser compreendido por nós de nenhuma outra maneira senão unicamente pela mente” (Plutarch’s Lives: Numa 8.7–8 [Loeb, 1:334,335]). Assim Antiphanes: “Deus não é discernido por uma imagem, nem é visto pelos olhos, a ninguém se assemelha, por isso ninguém pode conhecê-lo por meio de uma imagem” (De Deo+). E Heródoto: “Os persas não tinham imagens nem altares, e criam que aqueles que os fazem são insanos, porque não creem (como os gregos) que Deus é produto dos homens” (Herodotus, 1.131 [Loeb, 1:170,171]).”…
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François Turretini – Compêndio de Teologia Apologética (volume 2), São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 91-92