Prova de que o Uso de Imagens é Ilícito 3

[Por: François Turretini]

“…3. PORQUE ELE ESTÁ RELACIONADO COM O PERIGO DA IDOLATRIA

VII. Terceiro, que se deve manter distante dos lugares sagrados o que não pertence ao culto de Deus e está relacionado ao perigo da idolatria. Ora, imagens em lugares sagrados não pertencem ao culto de Deus, visto que este expressamente as eliminou de seu culto pela lei, e estão relacionadas com o mais iminente risco de idolatria. Pois, como a experiência nos mostra, os homens (especialmente os homens incultos, propensos por natureza à superstição) são levados ao culto deles pela própria reverência pelo lugar. Como Brochmann propriamente reconhece: “É melhor que todas as imagens de quaisquer tipos sejam removidas do que permitirmos que elas figurem num lugar público no interesse do culto religioso, contra a ordem expressa de Deus” (“De Lege”, 7, Q. 1 em Universae theologicae systema [1638], 2:46). Aqui se apresenta a fútil réplica de que de fato se proíbe a ocasião de pecar per se, não igualmente aquilo que é por acidente; do contrário o sol deveria ser removido do céu, visto que ele propicia a ocasião de idolatria para inumeráveis pessoas. Portanto, é preciso remover o abuso, porém não o uso lícito delas. Pois, realmente o abuso não deve destruir o uso legítimo, caso se admita algo desse gênero com base na designação divina (o que os adversários presumem; nós, porém, negamos). Segunda objeção: que somente o culto torna as imagens ilícitas, do qual os luteranos professam que se esquivam. Respondemos que, embora, não sejam expressamente adoradas por eles (como fazem os papistas), curvando os joelhos e queimando-lhes incenso, ou oferecendo-lhes orações, contudo não se pode dizer que se desvencilham totalmente do culto; se não direto, pelo menos indireto e participativo, porque afirmam que por meio das imagens e à vista delas concebem pensamentos santos acerca de Deus e de Cristo (o que outra coisa não é senão praticar o culto que pertence a Deus, de modo que assim eles realmente adoram a Deus por meio das imagens). Finalmente, se não são adoradas por eles, podem entretanto ser adoradas por outros (i.e., pelos papistas, caso entrem em suas igrejas), e assim tornam o uso delas nas igrejas ilícito (exposto ao risco de idolatria), pelo qual os idólatras se confirmam em seu erro e inumeráveis pessoas se escandalizam — não só judeus e maometanos incrédulos, mas também cristãos crentes.

VIII. Nossos ancestrais não podem, pois, ser censurados por seu zelo, no tempo da Reforma, ao obrigarem que todas as imagens fossem removidas dos lugares sagrados. Nada fizeram aqui que não fosse ordenado por Deus (Nm 33.52; Dt 7.5; Ez 20.7) e confirmado por vários exemplos de reis e imperadores. Ao destruírem os ídolos e expurgarem todos os lugares sagrados de todo gênero de idolatria, os últimos laboraram diligentemente, como fez Ezequias, que “Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamaram Neustã” (2Rs 18.4). Por esta razão vários imperadores granjearam a alcunha de “quebradores de imagens” (iconoclastarum).”…
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François Turretini – Compêndio de Teologia Apologética (volume 2), São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 92-93