As Duas Tristezas do Crente

[Por: John Welsh]

“Existem duas coisas que especialmente desanimam e esmorecem um filho de Deus no tempo da sua peregrinação neste mundo: primeiro, a corrupção da sua própria natureza, que o impede de honrar e louvar ao Senhor na força do seu coração, e com a liberdade de espírito com que ele desejaria fazê-lo. É esta mesma corrupção que o faz cansado da vida e o compele a clamar por uma saída dessa miséria, e a desejar um livramento que o leve para além dessa vida natural e deste corpo de morte, a fim de que este seja desfeito e que o pecado deixe de reinar nele. Um homem escravo do pecado não consegue fazer aquilo que ele quer fazer; mas é compelido a fazer aquilo que não gostaria de fazer. Há uma lei nos membros do crente que se rebela contra a lei da sua mente, a qual o mantém cativo. Isso é comum a todos os santos, e você, que está em Cristo, vê e sabe disso. Mas muitos de vocês nunca foram trazidos para o reino de Cristo e, portanto, não experimentam essa luta. Você não sente que o pecado é um peso, não vê miséria nenhuma, nem sente uma batalha sendo travada em seu coração. É algo diferente que acontece com os filhos de Deus. Eles sentem essa batalha sendo travada em seus corações – entre a carne e o espírito – e isso lhes faz cansados da vida e desanimados, porque não conseguem servir a Deus como gostariam e, na sinceridade do seu coração, eles não ousam louvar a Deus. Este é o primeiro e principal pensamento que desencoraja o filho de Deus, e o que mais o impede de avançar em sua carreira com alegria e felicidade.

A outra coisa são as muitas cruzes e aflições dessa vida que perseguem os filhos de Deus, e que fizeram a esposa de Cantares clamar: “Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão. Não olheis para o eu ser morena, porque o sol resplandeceu sobre mim; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei.” (Ct 1:5-6). Esse era o caso do Cabeça, e esse é o caso de todos os Seus membros, porque por meio de muitas tribulações lhes importa entrar no reino dos céus. Portanto, agradou-se o Senhor em mandar duas consolações, opostas a esses desencorajamentos. Uma delas é: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1a). A outra é: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm. 8:18).”…
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John Welsh Podemos Ter Conforto na Aflição? Ananindeua, PA: Knox Publicações, 2016. pp. 21-22.
Fonte: Samuel Rutherford Lima