A Cegueira na Escolha de um Governante

[Por: Matthew Henry]

Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei.” [1 Samuel 8:19]

“…Imaginaríamos que tal apresentação das consequências, vinda diretamente de Deus, que não é capaz de enganar pela sua palavra nem ser enganado em seu conhecimento, deveria ter prevalecido sobre eles, para que desistissem do seu pedido; mas, o coração deles estava obstinado, estando certo ou errado, sendo bom ou mal: “haverá sobre nós um rei, independentemente do que Deus ou Samuel irão nos dizer. Haverá sobre nós um rei, independentemente do custo e da inconveniência que trouxermos sobre nós mesmos ou sobre a nossa posteridade“. Que loucura!

1. Eles estavam surdos para argumentos e cegos em relação aos seus próprios interesses. Eles não conseguiam contestar os argumentos de Samuel, nem negar a força deles e, mesmo assim, tornaram-se mais insistentes no seu pedido e mais insolentes. No início era: “Pede, constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós” (v.5). Agora é: “Não, mas haverá sobre nós um rei” (v.19). Sim, haverá porque nós queremos que haja. Não aceitaremos que alguma coisa seja falada contra isso. Veja o absurdo de desejos imoderados e como eles roubam a razão das pessoas.

2. Eles não podiam esperar o tempo de Deus. Deus tinha anunciado na lei que, no devido tempo, Israel teria um rei (Dt 17.14,16), e talvez tivessem uma pressuposição de que o tempo estava próximo. Mas, eles são precipitados: “Nós, em nossos dias teremos este rei sobre nós”. Se tivessem esperado mais dez ou doze anos, teriam tido Davi, um rei que Deus deu em misericórdia a eles, e todas as calamidades que ocorreram com a constituição de Saul teriam sido prevenidas. Resoluções súbitas e desejos precipitados abrem espaço para um arrependimento longo e vagaroso.”…
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Matthew Henry – Comentário sobre 1 Samuel 8