Os Ministros e a Disciplina na Igreja

[Por: James Durham]

“…Não é fácil determinar o costume e a maneira de lidar com os escândalos públicos, uma vez que existe tal variedade de casos para os quais devem os ministros da igreja buscar prudência e sabedoria da parte do Senhor. E, sem dúvida, o dom de governar, por assim dizer, consiste em administrar corretamente a disciplina, com referência aos diferentes tipos de pessoas com que precisa tratar. Porque assim como com doenças físicas nem sempre o mesmo remédio pode ser usado para todo tipo de doença ou constituição física, e assim como os ministros adaptam o seu ensino conforme o auditório a que se dirigem, assim também o remédio da disciplina não deve ser aplicado de forma igual a todas as pessoas; não, nem sequer deve o mesmo remédio ser aplicado a pessoas que pecam de forma semelhante; pois aquilo que pouco humilharia a um, talvez esmague ao outro, e aquilo que pode edificar a um, pode ser um tropeço a outro de constituição diferente.

Por essa razão, acreditamos que não há como determinar de maneira categórica as regras para esse tipo de caso, mas com certeza a maneira de proceder na aplicação dessas regras deve ser deixada à prudência e à consciência dos ministros da igreja, de acordo com as circunstâncias específicas de cada caso… Quando eu falo de edificar, não estou me referindo a agradar as pessoas, pois isso pode muitas vezes ser prejudicial a elas e também a outros; mas refiro-me ao fato de que isso precisa ser avaliado com prudência cristã, considerando a época e o lugar em que vivemos, a natureza da pessoa com que estamos lidando, e também daqueles entre os quais vivemos, para decidir qual deve ser o caminho a seguir com essa pessoa específica nessa época específica.

Assim sendo, conforme parece mais provável que este ou aquele caminho honrará mais a Deus, justificará mais plenamente os seus mandamentos, conquistará a pessoa do pecado para a santidade, ou pelo menos a um andar mais conforme à lei, e edificará mais plenamente aos outros, de acordo com essas avaliações deve o tribunal da igreja optar pelo caminho que vá conduzir com mais probabilidade a esse fim; e por essa razão não se deve pensar sempre que houve alguma parcialidade por parte da igreja quando se observar esse tipo de diferença nas suas decisões.”…
___________________________________________________________________
James Durham Treatise concerning Scandal, Glasgow, 1720 – p.55-58.