Cobertura de Cabeça, o Sinal de Submissão

[Por: João Crisóstomo]

Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.” [1 Coríntios 11:3]

“…Talvez aqui, alguém levante uma questão, perguntando a si mesmo: Que falta será  terem as mulheres a cabeça descoberta, e os homens, coberta? Logo saberás qual a falta. Notam-se muitos e diversos sinais destinados ao homem e à mulher, ao primeiro de domínio e a esta de submissão. Entre eles, também a advertência de que ela cubra a cabeça, e ele tenha a cabeça descoberta. Se, portanto, são sinais, ambos falham quando perturbam a ordem e ultrapassam o preceito de Deus e os próprios limites, o homem, na verdade, descendo à posição subordinada da mulher, a mulher, insurgindo-se contra o homem, pelo porte. Se, portanto, não é lícito trocarem mutuamente a veste, nem ela tem o direito de revestir o manto, nem o homem, o vestido e o véu. “A mulher não deverá usar um artigo masculino, e nem o homem se vestirá com roupas femininas” (Dt 22:5). Mais ainda, não se troquem os sinais. Essas leis foram promulgadas pelos homens, embora Deus posteriormente as tenha confirmado, a saber, cobrir ou não cobrir a cabeça, é preceituado segundo a natureza. Ao falar de natureza, refiro-me a Deus, pois foi ele quem a criou. Se, portanto, ultrapassares esses limites, vê quantos males daí se originam. Nem me digas que se trata de falta leve. Por si é grande, porque é desobediência. Mesmo se fosse pequena, tornar-se-ia grande, visto constituir símbolo  e realidades grandiosas. Evidencia-se sua grandiosidade pelo fato de que no gênero humano se mantém muita ordem entre o chefe e os subordinados, revestidos de adequado ornato. Por isso, quem transgride, tudo confunde, trai os dons de Deus e pisoteia a honra que lhe foi outorgada, e isso é válido não somente para o homem, mas também para a mulher. Pois, certamente, é máxima honra conservar a própria ordem, como é vergonhoso dela se apartar.”…
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João CrisóstomoPatrística – Comentário às cartas de São Paulo – 2 (Vigésima Sexta Homilia). Editora Paulus, p.207