O Magistrado Civil e a Lei de Deus

[Por: John Knox]

“…Ó Senhor Deus nosso, já outros senhores têm tido domínio sobre nós; porém, por ti só, nos lembramos de teu nome.” [Isaías 26:13]

“…Se alguém deseja prova deste ponto, não é difícil. Tomemos o caso de Moisés: na eleição de juízes e de um rei, ele descreve não somente quais pessoas deveriam ser escolhidas para essa honra, mas também dá ao eleito e escolhido a regra pela qual ele mesmo se provará se Deus reina nele ou não, dizendo: “[…] quando (o rei) se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos sacerdotes levitas. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida; para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras de Sua Lei, e de Seus estatutos, para fazê-los; para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda […]” (Dt 17.18-20).

Algo semelhante é repetido pelo próprio Deus a Josué, na inauguração da sua regência sobre o povo, tendo Deus dito: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e prudentemente te conduzirás” (Js 1.8).

Então, a primeira coisa que Deus exige de um aspirante ao trono ou de um rei é: o conhecimento de Sua vontade revelada em Sua Palavra.

A segunda é: mente íntegra e disposta a executar as coisas que Deus ordena em Sua lei, sem declinar para a direita ou para a esquerda.

Os reis não têm poder absoluto em seu governo para fazer o que lhes agrade; o seu poder é limitado pela Palavra de Deus: assim é que, quando eles ferem alguém que Deus não mandou ferir, não passam de assassinos. E, se eles poupam quem Deus mandou ferir, eles e seus tronos se tornam culpados da iniquidade da qual a terra está cheia, por falta de punição.

Oh, se os reis e os príncipes considerassem que conta será cobrada deles, tanto por sua ignorância e por seu falso conhecimento da vontade de Deus, quanto por negligenciarem o seu ofício!”…
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John KnoxAos Inimigos da Verdade. São Paulo: PES, 2013. p. 18-19.