Modo e Ritos da Excomunhão

[Por: George Gillespie]

Quanto ao modo e ritos de sua excomunhão, eles eram feitos mais solenemente. Dr. Buxtorff conta-nos que, caso a parte esteja presente, a sentença da excomunhão era pronunciada contra ele pela palavra da boca; caso ele estivesse ausente, havia um escrito fixado publicamente contendo a sentença de excomunhão, o qual não era publicado até que a ofensa fosse provada, a menos, por duas testemunhas.”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.IV, pg. 23

Tradução: Thiago Barros

O Apóstolo, em 1 Cor. 5 […] no verso 13, quando ele diz, ‘portanto, retirai dentre vós a esse iníquo’, ele claramente alude para Êxodo 12.15 e 19, ‘qualquer que comer aquilo que está levedado, aquela alma será cortada da congregação (ou igreja) de Israel’. Teofilacto, em 1 Coríntios 5.13, observa a alusão do Apóstolo à antiga lei do ‘cortar fora’, e Maccovius (embora não seja um bom amigo da disciplina e governo da igreja) prova que a excomunhão foi transferida dos judeus para nós através do próprio Cristo (Mt. 18), e esse ‘cortar fora’ mencionado na lei não é outra coisa senão aquela que o Apóstolo expressa quando diz, ‘tirai dentre vós a esse iníquo’.”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.V, pg. 28

Tradução: Thiago Barros

“Assim como os judeus tinham uma excomunhão, da mesma forma eles tinham uma absolvição, e aquilo que a interrompia (a excomunhão) era a confissão e declaração do arrependimento. […] Quando um homem era excomungado pela excomunhão menor, o consistório esperava, primeiro, trinta dias, e então, outros trinta dias, e, como alguns pensam (a terceira vez) trinta dias, para ver se o ofensor estava penitente (o que não poderia ser conhecido sem confissão), e buscaria absolvição, a qual caso ele não buscasse, mas continuasse obstinado e impenitente, então, ele procederia à excomunhão maior, a qual prova uma confissão pública, ao menos no caso do excomungado.”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.IX, p. 40

Tradução: Thiago Barros

Sobre a exclusão de pessoas excomungadas que mencionei antes, seguindo a opinião daqueles que sustentam que aqueles que foram excomungadas pela excomunhão menor, tinha liberdade para entrar no templo, ainda assim, eles entravam no portão dos pranteadores, e não eram vistos no templo de outra forma que não como penitentes; porém, aqueles que foram excomungados pela excomunhão maior, não eram tolerados para vir ao templo, nem a qualquer assembleia que tivesse mais de dez homens; e eles não poderiam ensinar e nem ser ensinados.”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.IX, p. 42

Tradução: Thiago Barros

Se qualquer homem perguntar […]: ‘Todas as pessoas profanas devem ser mantidas longe de nossas igrejas e assembleias públicas, e, portanto, de ouvir da palavra?’ Eu respondo: ‘Deus proíbe’.

A analogia que entendo que deva ser sustentada entre a igreja judaica e cristã é essa: Assim como as pessoas profanas eram proibidas de entrar no templo, por causa da santidade sacramental e tipológica dele (pois o templo era um tipo de Cristo), portanto, as pessoas profanas devem agora, ainda mais, ser mantidas distantes do sacramento da Ceia do Senhor, o qual tem ainda mais significado sacramental, mistério e santidade nele, por meio do qual promessas evangélicas mais amplas são estabelecidas e seladas a nós.

E assim como as pessoas profanas poderiam, antigamente, vir até o pátio dos gentios, e lá ouvir a palavra pregada no pórtico de Salomão (onde tanto Cristo como seus apóstolos pregaram – Jo 10:23; At 3:11; 5:12 -, pórtico que ficava no pátio mais distante, isto é, o pátio dos gentios, do qual [pode ser visto] de Josefo em outro lugar), contudo, não poderiam entrar no pátio de Israel, nem ter comunhão nos sacrifícios; logo, pecadores profanos obstinados devem ser excluídos, pela sua impiedade, da comunhão dos santos da igreja, embora eles possam ouvir a palavra, como os gentios também poderiam fazer. Ora, que o templo de Jerusalém tinha uma imagem tipológica sacramental de Cristo, pode ser visto claramente em diversos particulares:

1) Assim como a glória do Senhor habitava no templo, no interior do oráculo, sobre a arca e o propiciatório, e, na dedicação do templo, a nuvem da glória do Senhor visivelmente encheu toda a casa; logo, não obstante, em Cristo habita corporalmente a plenitude da divindade, como disse o Apóstolo.

2) Assim como o grandioso Deus, quem o céu dos céus não pode conter, agradou-se ainda em habitar sobre a terra colocando seu nome naquele local [o templo]; logo, apesar da infinita distância entre Deus e o homem, ainda assim foram eles aproximados um ao outro, para terem juntos comunhão em Cristo.

3) Deus revelou sua vontade de que não aceitaria sacrifícios do seu povo, exceto no templo somente, após ele ter sido construído; logo, Deus revelou sua vontade de que os nossos sacrifícios espirituais não são aceitáveis a Ele, exceto em Jesus Cristo somente

4) O povo de Deus era obrigado a colocar sua face em direção ao templo de Jerusalém enquanto orava (1 Rs 8:30,47; Dn 6:10), logo, somos obrigados, na oração, a direcionar o olhar até Jesus Cristo com o olho da fé.

5) Assim como havia uma promessa ampla de Deus para ouvir as orações que seriam feitas naquele lugar (2 Cr 7:15,16), logo, Deus prometeu nos ouvir e aceitar, se buscarmos a Ele em e através de Jesus Cristo.

6) Deus disse em relação ao templo: ‘meus olhos e o meu coração estarão ali perpetuamente’ (2 Cr 7:16); assim Ele disse de Cristo: ‘Este é meu Filho amado, em quem me comprazo’.

7) Havia apenas um templo; logo, apenas ‘um Mediador entre Deus e o homem, o homem Jesus Cristo’ (1 Tm 2:5), disse Paulo.

8) Assim como o templo foi designado para ser uma casa de oração por todas as nações (Is 56:7), e o estrangeiro, da mesma forma como o Israelita, poderia vir e orar nele (2 Cr 6:32); logo, Cristo é a propiciação, não pelos judeus somente, mas pelos gentios; e quem quer que creia nEle (judeu ou gentio) não será confundido.

9) Diz o profeta: ‘Por causa do teu templo em Jerusalém, os reis trarão presentes a ti’ (Sl 68:29); logo, por causa de Jesus Cristo (aquele que tem um nome sobre todo nome, e recebeu todo poder no céu e na terra), os reis se submeterão e se prostrarão.

10) Coisas gloriosas eram ditas de Jerusalém, a cidade de Deus, mas o templo era a glória de Jerusalém; logo, coisas gloriosas são ditas da igreja, mas Cristo é a glória da igreja.

Outras considerações similares poderiam ser adicionadas, mas essas são suficientes.”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.IX, p. 47

Tradução: Thiago Barros

Se aos impuros não era permitido, sob a lei, comer da carne dos sacrifícios, ou, caso contrário, eles seriam cortados fora, não deveria-se, com grande cuidado, evitar com que o corpo de Jesus Cristo (o qual era simbolizado pela carne dos sacrifícios) e o sangue da aliança sejam pisoteados pelos cães e suínos?”
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George GillespieAaron’s Rod Blossoming, I.IX, p. 48

Tradução: Thiago Barros