O que é Esforçar-se Pelo Reino de Deus – 1

[Por: Jonathan Edwards]

A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele” (Lucas 16:16)

“…I. Mostrarei que modo de buscar a salvação parece ser denotado por ‘esforçar-se pelo reino de Deus.’

1. Essa expressão implica força de desejo. Em geral, os homens que vivem sob a luz do evangelho -e que não são ateus – desejam o reino de Deus, isto é, desejam ir para o céu e não para o inferno. A maior parte deles, porém, não está muito preocupada com isso, ao contrário, vive uma vida segura e descuidada. E alguns que estão muitos graus acima desses, estando sob os despertamentos do Espírito de Deus, ainda assim não estão se esforçando pelo reino de Deus. Mas, daqueles de quem se pode verdadeiramente afirmar isso, têm fortes desejos de sair de sua condição natural e obter um interesse em Cristo. Têm tal convicção da miséria do seu estado presente e da extrema necessidade de se obter um melhor que suas mentes estão, por assim dizer, possuídas e absortas em cuidados a esse respeito. Obter a salvação lhes é o desejo acima de todas as coisas no mundo. Esse cuidado é tão grande que em grande parte eclipsa os outros. Outrora, costumavam ter o fluxo de seus desejos por outras coisas, ou pode ser que estivessem divididos entre uma e outra. Mas, quando vieram a atender à expressão no texto de esforçar-se pelo reino de Deus, essa preocupação prevaleceu acima de todas as outras. Tornou-as inferiores e, de certa maneira, monopolizou a preocupação da mente. Essa busca da vida eterna deve não apenas ser uma preocupação que rivaliza com outras em nossas almas, mas a salvação deve ser buscada como a única coisa necessária (Lc 10:42) e como a única desejada (Sl 27:4).

2. Esforçar-se pelo reino dos céus denota sinceridade e firmeza de resolução. Deve haver força de resolução, acompanhada de força de desejo, como havia no salmista, no lugar há pouco referido: “Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei”. A fim de que haja total engajamento da mente nesse assunto, ambos devem coexistir. Além do desejo pela salvação, deve haver uma sincera resolução nas pessoas para buscarem esse bem tanto quanto esteja em seu poder. Devem fazer tudo o que, no uso da máxima força, estiver ao seu alcance para atender a cada dever e resistir e militar contra toda forma de pecado, e em persistir nessa busca.

Duas coisas são necessárias na pessoa para que tenha forte resolução: deve haver um senso da grande importância e necessidade da misericórdia buscada, e um senso da oportunidade de obtê-la, ou o encorajamento de buscá-la.

A força de resolução depende do senso que Deus dá no coração a respeito dessas coisas. Pessoas que não têm esse senso podem parecer a si mesmas resolutas. Podem, por assim dizer, forçar uma promessa a si mesmas e dizer consigo: ‘Buscarei enquanto eu viver, não descansarei enquanto não obtiver.’ Mas nada fazem senão enganar a si mesmas. Seus corações não estão comprometidos, nem tomam essas resoluções como pensam que fazem. É mais uma resolução da boca que do coração, pois este não está fortemente inclinado a cumprir o que a boca diz. A firmeza de resolução reside na plenitude de disposição do coração em fazer o que está resolvido a fazer. Os que se esforçam pelo reino de Deus têm disposição de coração para fazer tudo o que for exigido e que esteja ao seu alcance, e nisso persistir. Têm não apenas sinceridade, mas constância de resolução. Não buscam com coração inconstante, por turnos ou acidentes, aqui e ali, mas a inclinação constante da alma é, se possível, obter o reino de Deus.”…
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Jonathan Edwards – Sermão em Lucas 16:16
Fonte: Projeto Jonathan Edwards
Tradução: Tiago Cunha