Somente um Cálice na Ceia do Senhor

[Por: George Gillespie]

“…Nossa primeira inferência é esta: que não é indiferente que um ministro entregue os elementos sacramentais de pão e vinho de sua própria mão a todo comungante, dado que nosso Senhor ordenou que seus apóstolos dividissem o cálice entre si, isto é, a fim de estenderem-no uns aos outros (Lucas 22:17). Alguns dos intérpretes são da seguinte opinião: que o Cálice mencionado pelo evangelista naquele situação, não é o mesmo do qual ele fala depois (v.20); mas estão muito enganados, pois, se fosse como eles pensam, Cristo novamente teria bebido, antes de Sua morte, daquele fruto da videira, do qual lemos, v. 17-18, que é manifestamente repugnante às Suas próprias palavras. Portanto, como Maldonat observa a partir de Agostinho e Eutímio, havia apenas um cálice; do qual Lucas fala, primeiro, por antecipação e, posteriormente, em seu devido lugar… Tanto que dividir qualquer coisa entre os homens não é tomá-la, mas entregá-la. E quem já confundiu partição e participação, dividir um cálice e beber um cálice, que diferem tanto quanto dar e receber? Assim, concluímos que quando Cristo ordenou aos apóstolos que dividissem o cálice entre si, o significado das palavras não pode ser outro senão isto: que eles deveriam dar o cálice uns aos outros; o que é tão claro que um jesuíta também faz cumprir esse mandamento, que Cristo estendeu o cálice não a cada um, mas àquele que o daria ao seu próximo, ao próximo, e assim por diante.”…
___________________________________________________________________
George GillespieA Dispute Against The English Popish Ceremonies Obtruded On The Church of Scotland: The fourth part Against the Indifferency of the Ceremonies – Chapter V