Diferenças Naturais entre o Cântico dos Salmos e a Oração

[Por: Henry Cooke]

“…1. Na oração, nos achegamos a Deus para pedir as coisas de que precisamos; mas no louvor, atribuímos a Ele a glória que é devida ao Seu nome. Como nossa situação e circunstâncias estão sempre variando, as nossas necessidades são muito diferentes num determinado momento, do que são em outro. Nossas petições devem, consequentemente, ser enquadradas de acordo com as nossas necessidades. Mas, Deus é imutável e Seu louvor é sempre o mesmo. Aquela glória que é apropriada para ser atribuída ao Seu nome num determinado momento, sempre será apropriada. Não importa qual seja a nossa situação; quer estejamos em prosperidade ou em adversidade; quer sejamos os sujeitos da alegria ou da tristeza, ainda assim Deus deve ser louvado pelo que Ele é em si mesmo, e pelas exibições de Sua glória que Ele fez nas obras da criação, da providência e da redenção. E quais atribuições de glória são devidas a Ele, o Espírito de Deus declarou naqueles salmos, e hinos, e cânticos, que são as produções de Sua sabedoria infinita

2. Na oração social, uma pessoa lidera no exercício, enquanto outras seguem e se unem àquela pessoa na apresentação de suas súplicas diante do trono da graça; mas, em louvor, todos simultaneamente elevam juntos as suas vozes em exaltação ao nome de Deus. E daí resulta que, no exercício do louvor, uma forma escrita é absolutamente necessária, enquanto em oração, tal forma é desnecessária. E, portanto, como nossas canções de louvor assumem um caráter de permanência, que não pertence às nossas orações, podemos ver uma razão importante e óbvia por que provisão deve ser feita para nossa assistência no cumprimento de um dos deveres, que não foi considerado necessário no outro.

3. E em conexão com essa consideração, eu observo isso desde que, ao cantar o louvor de Deus, uma forma escrita é necessária, é provido para a igreja na palavra de Deus um livro de Salmos, enquanto não há livro de Orações. Isso é um fato que merece atenção especial. O Deus infinitamente sábio não faz nada em vão e nunca opera sem planejamento. De cada parte da palavra de Deus, aprendemos que é nosso dever tanto orar a Ele quanto cantar louvores ao Seu nome. E enquanto o dever em ambos os casos é perfeitamente claro, não é menos evidente que Deus fez provisão com respeito ao desempenho de um dos deveres, o qual Ele não achou apropriado fazer com referência ao outro. Não somente somos ordenados a cantar salmos, mas um livro de Salmos que contém os cânticos do Espírito de pureza, de amor e de graça, é fornecido para nosso uso. Os homens podem dizer que ‘assim como usamos nossa própria linguagem em oração, podemos também usá-la no louvor’; mas o fato de que o próprio Deus providenciou para nós um livro de Salmos, enquanto Ele não nos deu nenhum livro de Orações, repreende a asseveração injustificada. E a partir da provisão já feita para nós por parte d’Aquele que conhece a glória devida a si próprio, não há necessidade de prepararmos cânticos de louvor, a menos que estejamos dispostos a adotar o princípio presunçoso, de que somos mais competentes para decidir o que é apropriado ser empregado no louvor a Deus, do que Ele próprio que é objeto de louvor. Porém, em relação à oração, o caso é totalmente diferente. Embora seja claramente nosso dever orar, Aquele com quem está o resíduo do Espírito, não achou apropriado prover para nós uma coleção de orações. E, consequentemente, ao cumprir o mandamento divino: –‘As vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças’ [Fl 4:6] – devemos, a partir da necessidade do caso, expressar nossos pedidos em nossa própria língua.”…
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Henry Cooke , John Edgar & Thomas Houston. The True Psalmody or, the Bible Psalms the Church’s Only Manual of Praise. Belfast: James. Johnston, 1861, páginas 110-112.
Tradução – Nathan Cazé