O Cálice Único na Ceia

[Por: George Gillespie]

“…Assim, digo que aqueles que recebem o Sacramento em seus bancos desonram os pobres que não têm bancos, no que não devem ser louvados. Claro que seria mais parecido com a comunhão sentar-se e receber em uma Mesa. É o cenário mais adequado e significativo da comunhão dos Santos quando os filhos de Deus são “como plantas de oliveira à roda da tua mesa.” (Sl 128:3). Por isso o Apóstolo, tendo mencionado nossa participação em um pão (1 Co 10:17), acrescenta, no versículo 21, a nossa participação em uma Mesa, que é a Mesa do Senhor. Quando os comungantes não chegam à Mesa, mas permanecem em seus bancos, alguns aqui alguns ali, isso é de fato uma divisão da congregação in varias partes partiumque particulas. Não se pode dizer que eles dividam o cálice entre si, também, (o que pela instituição eles deveriam fazer em testemunho de sua comunhão) quando não estão ao alcance e muitas vezes nem à vista uns dos outros. Se não vêm à Mesa, não há como dividi-lo entre si e ali dar o cálice uns aos outros. Sei que alguns tem questionado se as palavras de nosso Salvador em Lc 22:17, “Tomai-o, e reparti-o entre vós;“, se destinam ao cálice eucarístico ou ao pascal. Porém, existem razões mais seguras os que colocam-no fora de questão: o significado é o cálice eucarístico (que é mencionado por Lucas por modo de antecipação). De agora em diante darei nada mais que este motivo, que sei que tem satisfeito a alguns que eram de outra opinião (embora muito mais possa ser dito): que aquilo que Lucas registra ter sido falado por Cristo a respeito daquele cálice, que Ele ordenou que dividissem entre si, o mesmo Mateus e Marcos registram que foi falado por Ele, concernente ao cálice eucarístico, que foi bebido por último, e depois da ceia pascal, a saber, que dali em diante Ele não beberia o fruto da videira até que o bebesse no Reino de Deus, o que não é verdadeiro se entendido como o cálice pascal, portanto, esses outros evangelistas o aplicam claramente ao cálice eucarístico, e ali também fecham a história do Sacramento, acrescentando apenas que um hino foi cantado (Mt 26:27-29, Mc 14:23-25 com Lc 22:17,18). E se, não obstante, alguns não ficarem convencidos de que as palavras “reparti-o entre vós” foram destinadas ao cálice eucarístico, como estou confiante de que estão enganados, espero que pelo menos produzam esse argumento, a fortiori. Se havia um símbolo de comunhão no cálice pascal, o qual os receptores deveriam dividi-lo entre si, com certeza isso deveria ter muito mais lugar no cálice eucarístico, pois a ceia do Senhor estabelece de maneira mais clara e completa a Comunhão dos Santos do que a Páscoa o fez..”…
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George GillespieA Treatise of Miscellany Questions: Wherein Many Usefull Questions and Cases of Conscience are Discussed and Resolved- Chapter 18

Fonte: O Presbiteriano